Alex Poatan é Derrotado por Ciryl Gane em Disputa de Cinturão na Casa Branca, Frustrando Busca por Recorde Histórico no UFC
Alex Poatan Pereira, 38 anos, viu seu sonho de conquistar um cinturão inédito no UFC e se tornar o primeiro lutador a ter títulos em três categorias de peso ser interrompido na madrugada desta segunda-feira (15). Em uma luta disputada na arena montada no jardim da Casa Branca, Poatan foi derrotado pelo francês Ciryl Gane, 36 anos, ainda no segundo round.
O lutador brasileiro, que já ostenta cinturões nas categorias peso-médio e meio-pesado, buscava adicionar o título interino peso-pesado ao seu currículo. A derrota para Gane, que havia conquistado o cinturão em 2021, frustrou a expectativa de um feito histórico no MMA. A luta, que integrou as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, também foi marcada por um forte componente político, com a presença do ex-presidente Donald Trump.
A noite, no entanto, não foi de total decepção para o Brasil, com outras duas vitórias brasileiras em lutas sem disputas de cinturão. O evento, realizado em um cenário atípico, atraiu atenção não apenas pelo esporte, mas também pelo contexto político e social em que foi inserido. Conforme informação divulgada pela Folha, o evento foi visto como um aceno de Donald Trump a seu eleitorado masculino, afeito a demonstrações de virilidade e dominância.
Poatan Faz Entrada Marcante e Vê Estilo Não Ser Suficiente contra Gane
Alex Poatan fez sua tradicional entrada ao som de cantos indígenas, honrando suas origens pataxós. O apelido “Poatan”, que significa “mão de pedra” em tupi-guarani, ecoou pela arena. Antes de subir ao octógono, o brasileiro simulou o lançamento de uma flecha com um arco imaginário no topo da escada da Casa Branca, em um espetáculo que antecedeu sua entrada.
Conhecido por um estilo de luta tecnicamente heterodoxo, Poatan, que tem um passado de sucesso no kickboxing, chegou ao MMA com menos domínio em técnicas de solo e queda. No entanto, sua força, precisão, velocidade e a rara capacidade de ler o adversário, segundo o colunista Juliano Spyer, frequentemente o levam a nocautes devastadores. Desta vez, contudo, seu arsenal técnico não foi o suficiente para superar Ciryl Gane.
O brasileiro, que abriu mão do cinturão dos meio-pesados para subir de categoria, ainda não decidiu se permanecerá nos pesos-pesados. “Se eu não tivesse arriscado em todas as vezes, eu não estaria aqui”, afirmou após a luta, demonstrando a mentalidade arrojada que o caracteriza.
Outras Vitórias Brasileiras e Luta Principal da Noite
A noite de UFC na Casa Branca também foi palco de vitórias para outros dois brasileiros. Diego Lopes, 31 anos, de Manaus, nocauteou o americano Steve Garcia, 34 anos, no segundo round da categoria peso-pena. Lopes, atual número dois do ranking do UFC, soma agora 12 vitórias por nocaute.
Maurício Ruffy, 29 anos, conhecido como “One Shot”, confirmou seu apelido ao derrotar Michel Chandler, 40 anos, por nocaute no primeiro round. O lutador paulistano, que cresceu em Alagoas, ostenta 13 vitórias por nocautes em 12 lutas. Após a vitória, Ruffy surpreendeu a todos ao pedir a esposa, Nadine, em casamento no octógono.
A luta principal da noite, considerada a mais longa do card, viu o azarão Justin Gaethje, 37 anos, derrotar o favorito Ilia Topuria, 29 anos, campeão interino peso-leve. A disputa pela unificação do cinturão chegou ao quarto round, quando Topuria, visivelmente machucado e com um olho inchado, foi impedido de continuar pela arbitragem, garantindo o título a Gaethje.
Show Político e Homenagens na Casa Branca
O evento foi palco de um verdadeiro show político orquestrado por Donald Trump. Antes do início das lutas, Trump e Dana White, CEO do UFC, acompanharam o hino nacional e sobrevoos da Força Aérea Americana. Nos intervalos, foram exibidas homenagens a serviços de emergência e veteranos, com narrativas que comparavam os lutadores de MMA aos guerreiros históricos dos Estados Unidos.
Mark Zuckerberg, dono da Meta, também marcou presença, anunciando a doação gratuita de óculos inteligentes Ray-Ban da Meta para veteranos cegos. A atmosfera política e as homenagens se misturaram ao esporte, criando um evento singular na história do UFC e da Casa Branca.