Argentina investiga surto de hantavírus em cruzeiro sem achar roedor transmissor em Mendoza
A Argentina segue sem identificar a espécie de roedor responsável pela transmissão da cepa de hantavírus ligada ao surto ocorrido em um cruzeiro no início de abril. A província de Mendoza, onde um turista neerlandês pode ter contraído a doença antes de embarcar, não apresentou exemplares do animal portador da cepa Andes nas amostragens realizadas por cientistas.
A investigação busca entender a origem da infecção que atingiu o navio MV Hondius, partindo de Ushuaia. A cepa Andes é a única variante do hantavírus com transmissão documentada entre humanos, e sua presença em Mendoza, onde a circulação endêmica não é confirmada, levanta questionamentos sobre a cadeia de contágio.
Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza 13 casos confirmados ou prováveis de hantavírus associados ao surto do cruzeiro, com três mortes registradas. As autoridades sanitárias argentinas, no entanto, continuam os estudos para descartar completamente a ligação com roedores na região, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde do país.
Busca por roedores em Mendoza não encontra o reservatório principal
Cientistas argentinos instalaram mais de 250 armadilhas em diferentes áreas da periferia de Malargüe, cidade de Mendoza. O objetivo era capturar exemplares do roedor conhecido como colilargo, ou Oligoryzomys longicaudatus, principal reservatório da cepa Andes na região patagônica. Contudo, a identificação preliminar em campo não detectou essa espécie específica.
O Ministério da Saúde da Argentina informou em relatório que, mesmo com a amostragem, nenhum exemplar do Oligoryzomys longicaudatus foi encontrado. Essa ausência dificulta a confirmação da origem do contágio que levou a casos graves e mortes em um cruzeiro internacional.
Outras espécies de roedores foram capturadas, mas sem confirmação de infecção
Durante os estudos em Mendoza, foram encontrados exemplares de Abrothrix olivacea, outra espécie de roedor. Embora já tenha sido documentada a presença de anticorpos da cepa Andes nesta espécie, ela não é considerada um vetor importante de transmissão para humanos até o momento.
A doutora Carla Bellomo, do Serviço de Biologia Molecular do Malbrán, esclareceu que as análises laboratoriais das amostras obtidas continuam em andamento. Ela ressaltou que os estudos de campo não apresentaram, de forma conclusiva, evidências de que os exemplares capturados estejam infectados pelo hantavírus.
Investigação inclui amostragem anterior na Terra do Fogo
Esta não foi a primeira vez que o governo argentino realizou buscas por roedores para investigar o surto. Em maio, uma amostragem semelhante foi feita na Terra do Fogo, província onde fica Ushuaia, ponto de partida do cruzeiro MV Hondius. Naquela ocasião, também não foi encontrado nenhum colilargo, o roedor capaz de portar a cepa Andes.
A cepa Andes é endêmica no sul do Chile e da Argentina, mas Mendoza não tem registro confirmado de sua circulação. Especialistas avaliam que o risco de uma propagação descontrolada da doença na região permanece baixo, apesar da investigação em curso.