Haiti Define Novo Calendário Eleitoral com Votação Presidencial Prevista para Julho de 2027
O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti anunciou nesta quarta-feira (28) o adiamento das eleições presidenciais e legislativas para 18 de julho de 2027, com um segundo turno e eleições locais agendados para 4 de outubro do mesmo ano. O país caribenho, o mais populoso da região, não realiza eleições desde 2016, em um cenário marcado pela profunda crise de segurança e instabilidade política, que culminou no assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021.
A decisão de adiar a votação, que já havia sido marcada para dezembro de 2024 e posteriormente revisada sem um novo prazo definido, reflete as dificuldades crônicas em garantir a segurança necessária para um processo eleitoral confiável. A expansão do controle territorial por organizações criminosas armadas tem sido o principal obstáculo, levando sucessivos governos de transição a postergar a realização das eleições.
Desde 2024, o Haiti tem contado com a mobilização de tropas estrangeiras, sob o amparo de missões de segurança apoiadas pela ONU, na tentativa de auxiliar a polícia local a retomar o controle de bairros e criar um ambiente propício para a votação. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.
Contexto de Insegurança e Cooperação Internacional
O anúncio do novo calendário eleitoral ocorre em um momento de alta tensão, pouco mais de uma semana após o desaparecimento de quatro técnicos de aviação salvadorenhos, vítimas de uma emboscada em uma área controlada por gangues nos arredores da capital, Porto Príncipe. Em resposta ao incidente, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, iniciou uma operação de resgate e enviou centenas de soldados ao Haiti, embora os detalhes sobre o comando, duração da missão e atribuições exatas das tropas salvadorenhas permaneçam incertos.
Em contato telefônico com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aime, Bukele manifestou a intenção de enviar mais de 2.000 militares. O gabinete de Fils-Aime confirmou a conversa, afirmando que ambos os líderes reafirmaram o compromisso de fortalecer a coordenação bilateral e a cooperação operacional no âmbito da Força de Repressão às Gangues, apoiada pela ONU. O objetivo é apoiar operações de resgate e enfrentar os desafios de segurança no país. No entanto, não houve esclarecimentos sobre se as novas forças salvadorenhas se integrarão à missão da ONU ou atuarão de forma independente.