Presidente reage a saída de Flávio Bolsonaro do país após derrota eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “vergonhoso” a atitude do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos logo após a derrota eleitoral. Em declarações nesta terça-feira (27), Lula comparou a situação com seu próprio comportamento durante as investigações da Operação Lava Jato, quando se apresentou voluntariamente à Polícia Federal.
“Tive muitos convites para sair do Brasil, para ficar em embaixadas, mas me entreguei para à Polícia Federal, porque eu queria desmascarar meus acusadores e estou aqui, sendo reeleito para mais um mandato. Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, afirmou o presidente, em referência indireta ao senador.
Fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo que Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos. Lula ainda comentou que tentou auxiliar o senador a provar sua honestidade por meio da quebra de sigilos.
“Eu tentei que ele provasse que era honesto entregando papéis e ele não entregou. Demonstração de que esse cidadão que foi a figura mais mentirosa que vi no planeta terra não tem compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele, porque quando mente ele está desrespeitando as pessoas que estão em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, enfatizou Lula.
Críticas à família Bolsonaro e medidas judiciais contra o senador
O chefe do Executivo também dirigiu críticas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Lamentavelmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles. A primeira é lamber botas dos americanos”, declarou.
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorre em um contexto de crescentes restrições impostas pela Justiça. Na segunda-feira (26), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador, proibindo-o de deixar o país. Flávio havia anunciado as medidas cautelares, afirmando não ter intenção de sair do Brasil e que lideraria a oposição ao governo Lula.
Após o senador não cumprir a ordem judicial, deputados do PT pediram a Moraes a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro e sua inclusão na lista da Difusão Vermelha da Interpol. A família Bolsonaro tem sido alvo frequente de medidas judiciais por parte do ministro Moraes.
Medidas judiciais contra a família Bolsonaro
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro soma-se a uma série de ações judiciais movidas por Alexandre de Moraes contra membros da família Bolsonaro. Em julho de 2025, antes de sua condenação, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve sua residência revistada, foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica e teve restrições de comunicação e uso de redes sociais impostas. Posteriormente, as medidas foram convertidas em prisão domiciliar e, em novembro, em prisão preventiva.
Em outra ocasião, em julho de 2026, publicações de Flávio Bolsonaro nas redes sociais levaram à restrição de visitas a Jair Bolsonaro. O senador havia divulgado uma carta do pai, apresentando-se como porta-voz e pedindo apoio à sua pré-candidatura presidencial. Moraes entendeu que a ação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair, suspendendo as visitas de Flávio por 90 dias.
Alexandre de Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai. Eduardo foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, resultando em mandado de prisão, suspensão dos direitos políticos e cancelamento de seus passaportes. Ele se encontra nos EUA.
Em um processo distinto, Eduardo Bolsonaro foi condenado em setembro deste ano por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), proferidas em 2021, quando ele ainda era deputado.
