Pensamentos obsessivos com a eleição podem gerar estresse, insônia e dores de cabeça
Pensamentos obsessivos com a eleição podem gerar estresse, insônia e dores de cabeça

Pensamentos obsessivos com a eleição podem gerar estresse, insônia e dores de cabeça

A disputa eleitoral, especialmente em momentos de acirramento como o segundo turno, pode desencadear um estado de ansiedade e preocupação intensa em muitos eleitores. Esse cenário, quando se torna obsessivo, pode manifestar-se através de irritabilidade, falta de sono e dores de cabeça, impactando significativamente a vida pessoal e profissional. A poucos dias do segundo turno […]

Resumo

A disputa eleitoral, especialmente em momentos de acirramento como o segundo turno, pode desencadear um estado de ansiedade e preocupação intensa em muitos eleitores. Esse cenário, quando se torna obsessivo, pode manifestar-se através de irritabilidade, falta de sono e dores de cabeça, impactando significativamente a vida pessoal e profissional.

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, a estagiária de psicologia Larissa Santos, 29, relata dificuldades para dormir e um aumento considerável na ansiedade. A preocupação com um possível resultado desfavorável a seu candidato tem afetado sua produtividade no trabalho e suas relações pessoais. Esse fenômeno, que alguns internautas apelidaram de “psicose política”, embora não seja um termo clínico, reflete uma angústia real vivenciada por parte do eleitorado.

A proximidade entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, com uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual, intensifica a apreensão. A decisão final ocorrerá neste domingo (25), quando os brasileiros também escolherão governadores em seis estados e no Distrito Federal. As redes sociais, palco de debates acalorados, misturam propostas com previsões catastróficas e ataques, alimentando um clima de tensão.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Folha de S.Paulo.

Ruminação mental e sinais de alerta

Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo explicam que a preocupação com o resultado eleitoral, por si só, não é um problema de saúde mental. O alerta surge quando o assunto passa a dominar os pensamentos de forma persistente, gerando sofrimento intenso e prejudicando atividades cotidianas. Este fenômeno é conhecido na psicologia como “ruminação mental”, onde o indivíduo permanece mentalmente ocupado com o mesmo tema, mesmo quando tenta se concentrar em outras tarefas.

Os sinais de alerta podem se manifestar de diversas formas, incluindo:

  • Dificuldade para adormecer ou despertares noturnos para checar notícias.
  • Irritabilidade e tensão muscular.
  • Dores de cabeça e desconfortos gastrointestinais.
  • Palpitações, fadiga e alterações no apetite.

O psiquiatra Arthur Danila, coordenador do programa de mudança de hábito e estilo de vida do Hospital das Clínicas da USP, destaca que um indicador importante é a perda da capacidade de escolher quando se envolver com a política e quando se desligar dela. “O assunto passa a dominar seus pensamentos, suas emoções e seu comportamento, mesmo nos momentos destinados ao trabalho, à convivência e ao descanso”, afirma.

O papel do medo e das redes sociais

O psiquiatra Marcio Bernik, coordenador do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, aponta que o medo, uma das emoções humanas mais fortes, é frequentemente utilizado na política para influenciar o comportamento das massas. O cérebro possui sistemas de defesa que são acionados diante de ameaças percebidas. Quando o perigo é incerto ou distante, predomina a ansiedade, que pode evoluir para medo ou até pânico se a ameaça for vista como iminente.

As redes sociais podem agravar esse quadro. Conteúdos que geram indignação, medo e raiva tendem a ter maior engajamento, promovendo a circulação de mensagens emocionalmente carregadas e tornando o debate político mais hostil e menos aberto à complexidade. A constante exposição a cenários negativos, mesmo antes de qualquer mudança concreta, pode levar o eleitor a um estado de medo exacerbado.

Lidando com o estresse pós-eleitoral

Após a votação, é comum que eleitores cujos candidatos foram derrotados experimentem sentimentos como tristeza, raiva, frustração, medo ou desesperança. Danila aconselha que essas emoções não sejam negadas, mas que se evite que elas determinem decisões impulsivas ou interpretações absolutas sobre o futuro. A recomendação é transformar sentimentos de frustração em formas construtivas de participação social e cidadania ativa, acompanhando políticas públicas, participando de organizações comunitárias e contribuindo para o debate democrático.

Em casos de prejuízo importante no cotidiano ou agravamento de condições psiquiátricas pré-existentes, a busca por avaliação profissional é fundamental. O tratamento visa desenvolver maneiras mais saudáveis e funcionais de lidar com situações de sofrimento, aumentar a tolerância à incerteza e evitar que o sofrimento se torne incapacitante, sem a pretensão de mudar opiniões políticas ou eliminar toda emoção desagradável.

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