Nike em Queda Livre: Gigante do Esporte Perde Valor e “Zeitgeist”

Nike em Queda Livre: Gigante do Esporte Perde Valor e “Zeitgeist”

A Nike já era? A pergunta ecoa no mundo dos negócios e do esporte diante de um cenário de desvalorização acentuada da outrora inabalável gigante americana. Em apenas cinco anos, a empresa viu seu valor de mercado despencar em 75%, com uma queda de 50% concentrada nos últimos onze meses. A gravidade da situação levou […]

Resumo

A Nike já era? A pergunta ecoa no mundo dos negócios e do esporte diante de um cenário de desvalorização acentuada da outrora inabalável gigante americana. Em apenas cinco anos, a empresa viu seu valor de mercado despencar em 75%, com uma queda de 50% concentrada nos últimos onze meses. A gravidade da situação levou a Nike a ser reclassificada no índice S&P 100 para o S&P 500, um movimento que a afasta de fundos de investimento de grande porte e sinaliza novas desvalorizações iminentes.

Diante desse quadro, a empresa anunciou um ambicioso plano de corte de custos, batizado de “Pace”, com o objetivo de economizar US$ 2,5 bilhões até 2031. Embora o número exato de demissões não tenha sido divulgado, a magnitude do plano sugere um impacto significativo na força de trabalho. A situação é particularmente crítica na China, onde a Nike amarga dois anos consecutivos de queda na receita, com o pior trimestre registrado em agosto, apresentando uma retração de 22%.

Os reveses da Nike não se limitam ao balanço financeiro. No campo simbólico e estratégico, a marca perdeu um de seus maiores ativos: o astro do futebol francês Kylian Mbappé. O jogador optou por trocar a Nike pela suíça On, em um movimento irônico, considerando que a Nike apostou em Mbappé quando ele ainda era um jovem promissor. A perda se agrava ao saber que o fundador da On tinha como objetivo inicial desenvolver tênis para a própria Nike.

A crise também se manifesta em marcos esportivos. Na maratona de Londres, atletas patrocinados pela Adidas, Tiago Sawe e Yomif Kejelcha, quebraram a barreira das duas horas na distância, um feito que a Nike tenta alcançar sem sucesso desde 2017. Soma-se a isso o episódio envolvendo Bobbito Garcia, influente figura da cultura sneaker, que anunciou o descarte de seus tênis Converse (marca controlada pela Nike) após uma controversa campanha publicitária da empresa, que gerou associações negativas.

A perda do “zeitgeist”, o fator “it” que tornava a Nike desejada, foi apontada pela revista The Economist em uma reportagem com o título contundente: “Nike can’t just do it any more”. Apesar do declínio nas vendas, a matéria ressalta que a Nike ainda lidera em volume de pares vendidos, superando concorrentes como Adidas e New Balance, e se equipara em escala a gigantes como Starbucks e GM.

A análise consensual aponta a saída voluntária da Nike de lojas multimarcas, uma estratégia implementada pelo ex-CEO John Donahoe, como o início da crise. A aposta em canais de venda próprios, contudo, não conseguiu compensar a perda de capilaridade.

Resiliência no Brasil

Em contraste com o cenário global, a Nike no Brasil, através da Fisia (divisão do Grupo SBF, controlador da Centauro), demonstra resiliência. No segundo trimestre de 2026, a receita líquida apresentou um crescimento de 27,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pela Copa do Mundo, acordos com federações e clubes como CBF, Vasco, Galo e Corinthians, e um aumento de 26% no segmento de corrida, com destaque para as linhas Vomero, Pegasus e Structure.

A marca mantém seu compromisso com o mercado brasileiro, patrocinando a SP City até 2028 e apoiando projetos sociais como o “Vida Corrida”, na periferia paulistana. A força da marca no imaginário do consumidor é reforçada pelo reconhecimento “Top do Top” no prêmio Folha Top of Mind, ao lado de Omo. Tentativas de contato da reportagem com a Fisia para obter mais detalhes sobre a operação brasileira não obtiveram resposta.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela fonte de conteúdo 1.

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