Ministério da Saúde planeja incluir canetas emagrecedoras no SUS com custo anual de R$ 1,5 bilhão
Ministério da Saúde planeja incluir canetas emagrecedoras no SUS com custo anual de R$ 1,5 bilhão

Ministério da Saúde planeja incluir canetas emagrecedoras no SUS com custo anual de R$ 1,5 bilhão

Plano ambicioso para combater a obesidade no SUS O Ministério da Saúde, sob a gestão de Alexandre Padilha, anunciou um plano para incorporar as chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS), visando atender a “milhões” de pacientes. A iniciativa, que faz parte do programa do governo Lula, promete ser uma ferramenta estratégica no […]

Resumo

Plano ambicioso para combater a obesidade no SUS

O Ministério da Saúde, sob a gestão de Alexandre Padilha, anunciou um plano para incorporar as chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS), visando atender a “milhões” de pacientes. A iniciativa, que faz parte do programa do governo Lula, promete ser uma ferramenta estratégica no combate à obesidade, uma condição que afeta cerca de 25% da população brasileira. No entanto, o público exato a ser beneficiado, a data de início da oferta e os custos detalhados ainda estão em fase de definição.

Alexandre Padilha estima que o programa demandará um investimento anual de R$ 1,5 bilhão. O ministro refuta a ideia de oportunismo eleitoral, argumentando que a inclusão da medicação na rede pública visa não apenas tratar a obesidade, mas também gerar economia a longo prazo para o próprio sistema de saúde, ao prevenir complicações associadas a comorbidades. “Não estamos falando de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação, atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive de custos para o sistema de saúde”, declarou Padilha em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo.

Caminho para a incorporação e desafios anteriores

Na última quinta-feira (24), o Ministério da Saúde solicitou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) a elaboração de um protocolo para o uso desses medicamentos em pacientes com obesidade. A Conitec agora analisará a proposta e deverá sugerir critérios específicos para a elegibilidade dos pacientes, como o grau de obesidade e a presença de comorbidades, além de estimar os custos de distribuição. Essa análise é crucial, pois a Conitec já rejeitou a entrada das canetas no SUS em três ocasiões anteriores.

Em agosto de 2025, a comissão negou o pedido da farmacêutica Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy, apontando um custo estimado de R$ 6,8 bilhões em cinco anos para atender dezenas de milhares de pacientes. A nova estimativa do ministério, embora potencialmente maior em termos de orçamento, prevê que compras em larga escala e produção nacional possam viabilizar descontos significativos. Padilha acredita que a escala do SUS, aliada à produção local, pode reduzir o preço em 80% a 90%, tornando o tratamento acessível a um número muito maior de pessoas com o orçamento de R$ 1,5 bilhão anual.

Produção nacional e redução de custos como estratégias-chave

Para garantir a soberania na produção e evitar a escassez observada em outros medicamentos, como a insulina, o Ministério da Saúde aposta na ampliação da produção por meio de laboratórios públicos. A ideia é firmar parcerias de transferência de tecnologia com empresas privadas. “O Brasil quer ser soberano na produção, para não acontecer como no caos da insulina. As poucas indústrias internacionais passaram a produzir os análogos de GLP-1 [conhecidos como canetas emagrecedoras] na mesma planta, e tivemos risco no abastecimento”, explicou Padilha.

A expectativa de descontos expressivos está relacionada à entrada de mais de dez novas canetas contendo semaglutida, a mesma substância ativa do Ozempic, no mercado em 2026. Mesmo com um custo anual estimado de R$ 1.000 por paciente, valor consideravelmente inferior ao praticado atualmente, o orçamento previsto permitiria o tratamento de 1,5 milhão de pessoas. Contudo, a análise anterior da Conitec em 2025 indicava um custo anual por paciente superior a R$ 12 mil, demonstrando a magnitude do desafio na negociação de preços.

Novas propostas e o contexto da OMS

A Novo Nordisk apresentou uma nova proposta à Conitec, desta vez focada em um público mais restrito: pacientes com obesidade e histórico de infarto, estimando um custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões para cerca de 39 mil pessoas. Padilha considera que essa proposta pode ser “superada” pelo plano mais abrangente do governo, que visa beneficiar pacientes da atenção primária em programas de emagrecimento, não se limitando a casos mais graves.

Além do custo, a Conitec já havia apontado a necessidade de políticas intersetoriais mais robustas, como suporte psicológico e acompanhamento físico, para garantir a efetividade do tratamento. Padilha afirma que essa lacuna está sendo preenchida, citando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) que reconhecem as canetas como uma arma estratégica contra a obesidade e os investimentos previstos no programa Academia da Saúde para a contratação de nutricionistas e educadores físicos.

O que são as canetas emagrecedoras?

As canetas emagrecedoras contêm medicamentos agonistas do GLP-1, um hormônio natural que regula a glicose no sangue e a saciedade. São indicadas para o tratamento de diabetes e obesidade. As marcas mais conhecidas utilizam semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro), mas existem também medicamentos com liraglutida. O mercado tem visto uma pressão crescente por maior acesso e redução de custos, impulsionada pelo uso estético e pela popularização de versões manipuladas e importadas, o que gera preocupação entre associações médicas.

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