Perimenopausa: Mudanças Hormonais Elevam Risco Cardiovascular em Mulheres Antes da Menopausa
Perimenopausa: Mudanças Hormonais Elevam Risco Cardiovascular em Mulheres Antes da Menopausa

Perimenopausa: Mudanças Hormonais Elevam Risco Cardiovascular em Mulheres Antes da Menopausa

O corpo feminino em transição hormonal apresenta sinais de alerta para a saúde do coração, mesmo antes da menopausa. As doenças cardiovasculares, principal causa de morte entre mulheres no Brasil, podem ter seu risco elevado significativamente durante a perimenopausa, o período de transição que antecede a última menstruação. Estudos recentes e posicionamentos de sociedades médicas […]

Resumo

O corpo feminino em transição hormonal apresenta sinais de alerta para a saúde do coração, mesmo antes da menopausa.

As doenças cardiovasculares, principal causa de morte entre mulheres no Brasil, podem ter seu risco elevado significativamente durante a perimenopausa, o período de transição que antecede a última menstruação. Estudos recentes e posicionamentos de sociedades médicas destacam que as mudanças fisiológicas nessa fase, como o ganho de gordura abdominal, a alteração do perfil lipídico e um leve aumento da pressão arterial, são indicadores discretos, mas importantes, de uma vulnerabilidade cardíaca crescente. Essas alterações, muitas vezes atribuídas erroneamente a outros fatores, podem lançar as bases para problemas cardiovasculares futuros.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em publicação de 2025, alertou para o subdiagnóstico e subtratamento de doenças cardiometabólicas em mulheres. Essa realidade é preocupante, uma vez que, segundo o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares superam os cânceres como a principal causa de óbito feminino no país. A complexidade se acentua quando consideramos que os sintomas de eventos cardiovasculares agudos, como o infarto, podem se manifestar de forma atípica em mulheres, sendo confundidos com problemas gastrointestinais ou ansiedade, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento adequado.

Um estudo da PUC do Paraná, também divulgado em 2025, reforçou a gravidade da situação ao apontar um risco de morte pós-infarto maior entre mulheres de 45 a 55 anos em comparação com homens na mesma faixa etária. Essas descobertas, reunidas a partir de análises de sociedades médicas e instituições de pesquisa, sublinham a necessidade de uma maior conscientização e atenção à saúde cardiovascular feminina, especialmente durante a perimenopausa.

O Papel Crucial dos Hormônios na Saúde Cardiovascular

A menopausa, definida clinicamente após 12 meses sem menstruação, é frequentemente associada a um aumento na incidência de doenças cardiovasculares. No entanto, o presidente do Departamento da Mulher da SBC, Carlos Japhet, explica que as alterações que predispõem a esses riscos começam antes. O estrogênio, hormônio fundamental na regulação dos vasos sanguíneos, na distribuição de gordura corporal e no metabolismo do colesterol, tem sua produção oscilante na perimenopausa. Essa flutuação hormonal impacta diretamente o perfil lipídico, favorecendo o acúmulo de gordura na região abdominal e elevando o colesterol LDL (o chamado “colesterol ruim”), ambos fatores de risco cardiovascular conhecidos.

A ginecologista Lucia Helena Paiva, presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo, complementa que essas alterações no colesterol iniciam um processo de formação de placas nas paredes dos vasos, cujas consequências podem se manifestar anos depois. Ela ressalta que os sinais percebidos na perimenopausa são geralmente sutis, como um ganho de peso modesto e o aumento da gordura abdominal, além de leves elevações na pressão arterial. Embora não sejam diagnósticos de doença cardiovascular, esses achados servem como um alerta crucial para a adoção de medidas preventivas e o controle de fatores de risco como obesidade e hipertensão.

Sintomas que Desafiam o Diagnóstico

A confusão diagnóstica na perimenopausa é agravada pela sobreposição de sintomas. Ondas de calor, palpitações, alterações do sono, irritabilidade e oscilações de humor são comuns nessa fase e podem mascarar ou desviar a atenção de sinais mais graves. Japhet orienta que qualquer sintoma novo, intenso ou persistente deve ser avaliado por um profissional de saúde, sem ser automaticamente atribuído às flutuações hormonais. As mudanças no ciclo menstrual, que podem se tornar irregulares, com intervalos mais curtos ou mais longos, ou até mesmo com a ausência de menstruações por meses, são indicativos da perimenopausa, que geralmente se inicia entre os 40 e 45 anos, com a menopausa ocorrendo por volta dos 50 anos.

Estratégias de Prevenção e Cuidado na Perimenopausa

A perimenopausa é o momento ideal para que as mulheres conheçam seus indicadores de saúde: pressão arterial, níveis de colesterol e glicemia, e circunferência abdominal. A adoção de um estilo de vida saudável, incluindo atividade física regular, alimentação balanceada, sono adequado e a abstenção do tabagismo, tem um impacto concreto na prevenção cardiovascular. Informar o médico sobre histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou menopausa precoce também é fundamental para uma avaliação de risco mais precisa.

A saúde cardiovascular é construída ao longo da vida, mas nunca é tarde para iniciar. Reduzir o consumo de ultraprocessados, priorizar gorduras saudáveis, frutas e alimentos ricos em cálcio são recomendações importantes. A prática de exercícios como musculação, caminhada rápida e corrida leve não só beneficia o sistema cardiovascular, mas também auxilia na formação óssea, crucial nessa fase. Com o metabolismo desacelerando, ajustes na dieta são necessários para evitar o acúmulo de calorias na região abdominal.

Exames e Terapias: Uma Abordagem Individualizada

Exames cardiológicos como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico não são rotineiros para todas as mulheres na perimenopausa. Sua indicação depende dos sintomas, do exame clínico e da estimativa de risco individual, que deve considerar histórico menstrual, hábitos, histórico familiar, gestações, perfil lipídico e glicemia. A partir dos 40 anos, exames como mamografia anual, dosagem de colesterol, glicemia de jejum e hormônios da tireoide tornam-se parte da rotina. O risco de disfunção tireoidiana aumenta significativamente nesta fase, e a densitometria óssea pode ser solicitada conforme avaliação de risco.

Quanto à terapia de reposição hormonal (TRH), Japhet ressalta que seu uso não deve ser indicado unicamente para a prevenção de infarto ou AVC. A decisão de prescrever TRH para os sintomas da menopausa exige uma avaliação individualizada. Em casos de sintomas clássicos, o tratamento pode ser iniciado já na perimenopausa, mesmo antes da confirmação de 12 meses sem menstruação, desde que os exames estejam adequados e não haja contraindicações.

Sinais de Alerta para Emergência Cardiovascular

Independentemente da fase da vida, os sinais de alerta para um evento cardiovascular agudo permanecem os mesmos. Dor ou desconforto no peito, especialmente se persistente ou associado a esforço, falta de ar, suor frio, náusea, desmaio e dor que se irradia para braços, costas, pescoço ou mandíbula exigem atenção imediata. Diante de sintomas súbitos ou intensos, a procura por atendimento de emergência é fundamental.

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