A mudança de rota no Nordeste
Apesar de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter mantido a liderança no Nordeste no primeiro turno das eleições de 2026, com 63,77% dos votos válidos, um segmento do eleitorado da região tem demonstrado insatisfação com a atual gestão. A insatisfação com o custo de vida, a erosão do poder de compra e uma avaliação negativa dos resultados do governo federal são apontadas como as principais razões para eleitores nordestinos que deixaram de apoiar o presidente. As informações foram coletadas em municípios do Piauí, Paraíba e Maranhão.
No interior do Piauí, em José de Freitas, o lavrador João Maria Rodrigues dos Santos exemplifica essa desilusão. Ele associa sua mudança de voto às dificuldades enfrentadas por quem depende da aposentadoria rural. “No começo, Lula fazia bem. Hoje, a aposentadoria do lavrador pobre é sofrida, o dinheiro vai e volta sem valer. Por isso, não voto mais nele”, lamenta.
Críticas à gestão e ao impacto econômico
Em São Bento, na Paraíba, o funcionário público Acássio Dutra critica a condução do governo federal, apontando o peso dos impostos e a consequente redução do poder de compra da população. “É um governo que vem se arrastando há muitos anos e que não consegue corresponder aos anseios do povo. Nosso povo está sofrendo com tantos impostos, o poder de compra caindo, muita promessa e pouca ação”, desabafa.
A professora Isabel Leal, de Imperatriz, no Maranhão, traz uma perspectiva distinta, baseada em valores pessoais. Ela declara que não vota mais em Lula devido à defesa de valores que considera fundamentais, como os da família tradicional. Ao expor suas expectativas para um governo, Isabel destaca áreas que julga prioritárias para o país: “Considero fundamental apoiar um modelo de governo que priorize a liberdade econômica, a segurança pública rigorosa e que garanta um futuro mais seguro e estável para as próximas gerações”.
Cenário eleitoral e a expansão da votação de Flávio Bolsonaro
No contexto geral das eleições de 2026, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ampliou sua votação no Nordeste em comparação com os resultados de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Flávio Bolsonaro obteve 10.398.973 votos na região, o que representa 30,85% dos votos válidos, um crescimento de 18,3% em relação aos 8.787.394 votos (26,97%) de Jair Bolsonaro quatro anos antes. Essa diferença representa aproximadamente 1,6 milhão de votos a mais para o campo político representado pelo senador.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem buscado reforçar sua presença na região. O vice em sua chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), é apresentado como uma figura que conhece as demandas nordestinas. A participação de ambos em agendas na região e o trabalho de Gaspar em outros compromissos visam consolidar o apoio ao candidato. Nacionalmente, Flávio Bolsonaro encerrou o primeiro turno com cerca de 56,1 milhões de votos (47,03%), superando Lula, que obteve aproximadamente 53,8 milhões (45,16%).
O apoio de Ratinho na reta final
Na disputa por votos no Nordeste, Flávio Bolsonaro contou recentemente com o apoio do apresentador Ratinho. Em participação no programa eleitoral do PL, Ratinho simulou um “teste de DNA” para desmentir informações da campanha de Lula, abordando preocupações sobre o futuro de programas sociais. O candidato negou a intenção de extinguir o Bolsa Família, o SUS, a Farmácia Popular e as aposentadorias, em resposta a questionamentos sobre o “povo do Nordeste”. Ratinho também gravou um vídeo para redes sociais convocando para uma manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista.
