Conselho do MPF decide não investigar procurador-geral Paulo Gonet em caso Vorcaro
Conselho do MPF decide não investigar procurador-geral Paulo Gonet em caso Vorcaro

Conselho do MPF decide não investigar procurador-geral Paulo Gonet em caso Vorcaro

Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) arquiva pedido de investigação contra o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em meio a alegações de proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) decidiu, por 5 votos a 4, não instaurar investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em relação a […]

Resumo

Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) arquiva pedido de investigação contra o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em meio a alegações de proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) decidiu, por 5 votos a 4, não instaurar investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em relação a supostas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A apuração teria origem em citações a Gonet em mensagens extraídas do celular apreendido de Vorcaro pela Polícia Federal. Por unanimidade, o colegiado também negou o pedido de afastamento de Gonet dos casos relacionados ao Banco Master. A decisão marca um momento inédito, sendo a primeira vez que a conduta de um procurador-geral da República é submetida à análise do CSMPF.

A análise se deu após a Polícia Federal identificar menções ao procurador-geral e a seu filho em conversas extraídas do aparelho celular do empresário, além de uma foto de Gonet com um dos advogados de Vorcaro. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério Público Federal.

Votação e argumentos no Conselho

O relator do caso no Conselho, subprocurador Francisco de Assis Sanseverino, votou contra a abertura de uma investigação interna e o afastamento de Gonet, sendo acompanhado pelos subprocuradores Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho, Chateaubriand Filho e Nicolao Dino, presidente do CSMP. Em seu voto, Sanseverino argumentou que a atuação do PGR seguiu os princípios da legalidade, utilidade e eficiência na persecução penal, e que não havia fundamento legal para suspeição ou impedimento. Ele considerou as informações divulgadas pela imprensa como frágeis, apontando a ausência de registro de comunicação direta entre Vorcaro e Gonet e que as citações eram de terceiros.

Em contraponto, as subprocuradoras Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, Ana Borges Santos e o subprocurador José Adônis Callou de Araújo Sá votaram a favor da designação de um subprocurador para iniciar uma apuração preliminar contra Gonet. Janice Ascari questionou detalhes como quem iniciou a consulta sobre a participação de Pedro Gonet (filho do PGR) em eventos, se houve convite, reserva ou pagamento, e o conteúdo de ligações entre Vorcaro e Gonet. Samantha Chantal, por sua vez, defendeu que Paulo Gonet deveria ter se declarado impedido de emitir parecer, especialmente sobre o pedido de nulidade do relatório da PF que apontou as citações.

O subprocurador Alexandre Camanho, embora tenha votado com a maioria pela não investigação, o fez por entender que os pedidos eram prejudicados, e não por falta de mérito. Ele ressaltou a “escassez absoluta” de suspeitas contra o procurador-geral e alertou para o perigo de criar um precedente que leve à investigação de questões consideradas “cosméticas” pelo CSMPF.

O que pesa contra Gonet

O material apreendido pela Polícia Federal inclui diálogos onde Daniel Vorcaro se refere a “Paulo e Andrei” e a “Gonet”, interpretados pela PF como referências ao procurador-geral e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em uma troca de mensagens em março de 2025, o advogado Ciro Soares envia uma foto com Gonet a Vorcaro, indicando que o procurador-geral desejava falar com ele, seguida pelo registro de quatro chamadas de voz.

Outro ponto levantado foi a menção a um evento em Londres em abril de 2024, onde Gonet teria respondido a um convite com comentários sobre charutos e Macallan, e solicitado que seu filho também participasse da viagem. Gonet reconheceu o encontro, mas o descreveu como breve, ocorrido em um evento jurídico patrocinado pelo Banco Master, e negou ter pedido custeio de viagem para o filho. Ele também afirmou que, na época, não havia procedimentos contra o Banco Master em andamento no MPF ou na Justiça.

As mensagens também incluem uma comunicação entre Vorcaro e o contato “Alexandre de Moraes”, onde o ex-banqueiro expressa preocupação com a pressão do Banco Central, MPF e PF sobre o Master, e pede para “reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”. Nesse contexto, Vorcaro lista nomes de procuradores, agentes da PF e delegados.

A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal de não investigar Paulo Gonet e de não o afastar dos casos do Banco Master encerra, por ora, a análise sobre sua conduta. A abertura de uma investigação poderia ter gerado repercussões significativas nos processos envolvendo o Banco Master e potenciais pedidos de anulação de provas relacionadas a atos do PGR.

Tags:

Veja Também

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

São Paulo amplia teste do pezinho para rastrear Atrofia Muscular Espinhal (AME) no SUS

Optogenética: A revolução que ilumina o cérebro e rendeu um Nobel

Optogenética: A revolução que ilumina o cérebro e rendeu um Nobel

Incêndio atinge prédio na UFPE pela terceira vez em oito dias; PF investigará

Incêndio atinge prédio na UFPE pela terceira vez em oito dias; PF investigará