Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), manifestou forte oposição à recente articulação de partidos do chamado Centrão para alterar o sistema eleitoral brasileiro antes das eleições de 2026. A iniciativa, que busca reformular a forma como os deputados federais são eleitos, foi classificada por Costa Neto como algo que “o povo não vai entender isso nunca” e que “só é bom para dirigente partidário”. As declarações foram feitas à CNN Brasil nesta segunda-feira (19).
Dez legendas do bloco de centro estão em negociação para apresentar uma proposta que substitua o atual sistema proporcional de lista aberta, utilizado para a eleição de deputados federais, estaduais e distritais. O grupo pretende votar a mudança ainda em novembro, antes da posse dos parlamentares eleitos em 2026, que ocorre em fevereiro de 2027. A pressa na articulação ganhou força após o expressivo avanço do PL nas eleições de 2026, onde o partido elegeu 121 deputados federais, sua maior bancada desde 1990, ampliando a distância em relação às siglas de centro que perderam espaço na Câmara dos Deputados.
A articulação envolve partidos como PSD, MDB, Republicanos, Podemos e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade. Apesar do alinhamento para a reforma, os dirigentes ainda divergem sobre qual modelo adotar, com uma nova reunião agendada para 28 de outubro para debater as opções.
Centrão busca reduzir o efeito dos “puxadores de votos”
O principal objetivo da reforma pretendida pelo Centrão é diminuir a influência dos chamados “puxadores de votos”, candidatos que obtêm votações expressivas e, com isso, ajudam a eleger outros nomes da mesma legenda com votações menores. Exemplos recentes dessa dinâmica incluem o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador paulista Lucas Pavanato (PL-SP), eleito deputado federal em 2026. No sistema proporcional vigente, os votos recebidos pelos candidatos somam-se ao desempenho geral da legenda, determinando o número de cadeiras que cada partido conquista. Esse mecanismo, segundo avaliam os articuladores da reforma, foi fundamental para o aumento da bancada do PL.
Modelos em discussão: Distrital Misto e Distritão
Duas alternativas principais estão em debate para substituir o sistema atual. O voto distrital misto combina a eleição de representantes por distritos regionais com a distribuição proporcional de cadeiras entre os partidos. Nesse modelo, o eleitor votaria duas vezes: uma em um candidato de seu distrito e outra em uma legenda. Metade das vagas seria preenchida pelos candidatos mais votados em cada distrito, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente entre os partidos. A outra proposta é o distritão, um sistema onde os candidatos com maior votação individual conquistariam as vagas, independentemente do desempenho coletivo de seus partidos. A implementação do distrital misto dependeria de análise de compatibilidade com a legislação e a Constituição, enquanto o distritão, por alterar o princípio da representação proporcional, exigiria uma Emenda à Constituição, com aprovação em dois turnos por maioria qualificada.
