Curativo líquido da Unicamp promete cicatrização pela metade
Curativo líquido da Unicamp promete cicatrização pela metade

Curativo líquido da Unicamp promete cicatrização pela metade

Unicamp desenvolve curativo líquido com potencial para revolucionar tratamento de feridas Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um curativo líquido inovador que forma uma película protetora sobre feridas em menos de um minuto. A tecnologia, que promete reduzir o tempo de cicatrização em até 50% em testes pré-clínicos, dispensa o uso de gazes […]

Resumo

Unicamp desenvolve curativo líquido com potencial para revolucionar tratamento de feridas

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um curativo líquido inovador que forma uma película protetora sobre feridas em menos de um minuto. A tecnologia, que promete reduzir o tempo de cicatrização em até 50% em testes pré-clínicos, dispensa o uso de gazes e ataduras tradicionais, o que pode significar menos dor e mais eficiência no tratamento de diversas lesões.

O desenvolvimento, que partiu da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, foi licenciado para a Dermbio Biotech, uma spin-off acadêmica da própria universidade. Embora o produto ainda não esteja disponível para o público, ele já demonstra um grande potencial para transformar a abordagem clínica no cuidado com feridas, desde cortes simples até lesões mais complexas.

A proposta do curativo líquido é oferecer uma barreira protetora que auxilia o processo natural de regeneração do corpo sem a necessidade de trocas frequentes. Curativos convencionais, ao aderirem ao tecido em cicatrização, podem causar desconforto e até mesmo danificar o tecido durante a remoção. A nova tecnologia busca mitigar esses problemas.

Tecnologia inovadora e absorção pelo organismo

O curativo é aplicado diretamente sobre a lesão em formato de spray, solidificando-se rapidamente em uma membrana transparente e flexível. Essa película atua como um suporte para o crescimento celular, promovendo a regeneração tecidual. O material base é o poliácido lático (PLA), um polímero já conhecido por suas aplicações médicas, como em fios de sutura.

Um dos desafios superados pela equipe foi a adaptação do PLA para uso direto na pele. Tradicionalmente, o processamento deste polímero envolve solventes tóxicos. Os pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma formulação com solventes não tóxicos, permitindo a aplicação segura e eficaz do curativo. Essa inovação resultou em uma segunda patente, focada na solução utilizada.

A membrana formada possui uma estrutura tridimensional de fibras que facilita a aderência das células responsáveis pela formação de novo tecido. Gradualmente, essa película é absorvida pelo próprio organismo durante o processo de cicatrização, sem deixar resíduos.

Benefícios e aplicações potenciais

O princípio por trás da tecnologia é “deixar o corpo fazer melhor o que ele já faz”, como resume Rubens Maciel Filho, professor da Unicamp e coordenador da pesquisa. Em vez de interferir diretamente na cura, o curativo cria um ambiente propício para que ela ocorra de forma mais rápida e eficiente.

A flexibilidade da película é uma vantagem significativa, permitindo que ela acompanhe os movimentos do corpo em áreas como joelhos, cotovelos e dedos, onde curativos tradicionais podem dobrar, causar atrito ou se descolar. Além disso, a ausência de trocas frequentes reduz o risco de trauma durante a manipulação da ferida, a produção de resíduos biológicos e as chances de contaminação.

Em testes pré-clínicos com animais, observou-se uma redução de aproximadamente 50% no tempo de cicatrização, aliada a uma recuperação tecidual adequada. Os resultados preliminares, que aguardam publicação em revista científica internacional, indicam que a tecnologia pode ser aplicada em diversos tipos de feridas, incluindo escaras, pé diabético, queimaduras e lesões acidentais. Há também potencial para uso veterinário, dificultando que animais removam a proteção.

Próximos passos para a comercialização

A Dermbio Biotech está trabalhando para transformar a pesquisa em um produto comercializável. A empresa desenvolveu um aplicador próprio e estruturou as etapas de produção no Brasil com o objetivo de manter custos competitivos. O plano é levar a ciência ao mercado, gerando bem-estar e benefícios econômicos.

A expectativa é avançar nos testes pré-clínicos até o final de 2026, para então iniciar os estudos clínicos em humanos. Paralelamente, estuda-se uma versão em aerossol para venda em farmácias, que, embora possa ter um desempenho ligeiramente inferior, ainda oferecerá benefícios no tratamento de feridas. O desenvolvimento recebeu apoio financeiro da Fapesp e suporte da Inova Unicamp.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Unicamp e pela Dermbio Biotech.

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