Marqueteiro aponta benefício a Bolsonaro após cancelamento de debate da Globo
A decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, que proibiu a manutenção de um púlpito vazio destinado ao então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um debate da TV Globo, teria beneficiado o candidato Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A avaliação é de Paulo Vasconcelos, marqueteiro de campanha de Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Vasconcelos argumenta que a determinação de Aranha, nomeada pelo próprio Lula após atuação em seu governo, gerou uma repercussão negativa e um senso de insegurança jurídica que culminou no cancelamento do debate pela emissora. Segundo o publicitário, o episódio chamou a atenção geral, mesmo com a queda de audiência histórica dos debates presidenciais, por seu caráter simbólico.
A forma como a decisão foi tratada, com o púlpito vazio sendo retirado e o debate cancelado, teria desagradado eleitores e mudado o curso de votos que estavam indecisos. A fonte desta análise é a repercussão da decisão e o cancelamento do debate, que segundo Vasconcelos, teve um impacto significativo no cenário eleitoral. A análise se baseia em informações divulgadas por fontes jornalísticas.
Comparação com caso Zambelli e impacto no eleitorado
O marqueteiro traçou um paralelo entre a decisão de Aranha e o episódio envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), que perseguiu um eleitor na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Vasconcelos sugere que a ação da ministra teve um efeito semelhante ao desgaste sofrido por Bolsonaro na ocasião, que teria creditado à deputada parte de sua derrota.
“A canetada de agora foi a Zambelli de 2022”, afirmou Vasconcelos, indicando que o cancelamento do debate presidencial teria mexido com um eleitorado que se encontrava acomodado. O publicitário mencionou que decisões judiciais e episódios de repercussão pública já haviam influenciado resultados no primeiro turno, citando as eleições de Cleitinho (MG) e Sergio Moro (PR) para o governo de seus estados, além de Douglas Ruas no Rio de Janeiro, que disputará o segundo turno contra Eduardo Paes (PSD).
Avaliação sobre o STF e estratégias de campanha
Vasconcelos também comentou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliando que o caso Master, envolvendo revelações sobre as relações entre ministros da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, teria sido ofuscado por outras questões políticas.
Com 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, Flávio Bolsonaro superou Lula, que obteve 45,16%. Apesar do histórico de eleição de candidatos que lideraram o primeiro turno, Vasconcelos acredita que o cenário não é irreversível para Lula, mas ressalta a necessidade de autocrítica por parte da campanha petista. Para ele, o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais é o mecanismo mais eficaz para alcançar eleitores específicos, uma vez que o alcance orgânico atinge apenas os já decididos, e as redes sociais se tornaram um ambiente polarizado e de difícil comunicação com o eleitorado.
