Nobel de Ciências repete padrão masculino pela 101ª vez

Nobel de Ciências repete padrão masculino pela 101ª vez

Nobel de Ciências ignora mulheres em 2025, repetindo um padrão histórico Pela 101ª vez desde sua instituição em 1901, o Prêmio Nobel não contemplou nenhuma mulher nas categorias de Medicina, Física e Química. O anúncio, feito nesta quarta-feira (7), reafirma um quadro comum na história da premiação, onde a participação feminina nas ciências de ponta […]

Resumo

Nobel de Ciências ignora mulheres em 2025, repetindo um padrão histórico

Pela 101ª vez desde sua instituição em 1901, o Prêmio Nobel não contemplou nenhuma mulher nas categorias de Medicina, Física e Química. O anúncio, feito nesta quarta-feira (7), reafirma um quadro comum na história da premiação, onde a participação feminina nas ciências de ponta tem sido sub-representada entre os laureados.

Na última década, de 2016 para cá, a balança pende significativamente para os homens: foram 9 mulheres contra 76 homens agraciados nas três categorias científicas. Neste ano, os reconhecimentos foram para Karl Deisseroth (EUA) e Peter Hegemann e Georg Nagel (Alemanha) em Medicina, pela descoberta de canais de íon fotossensíveis que revolucionaram a optogenética. Em Física, Francis Halzen (Bélgica) foi premiado pela detecção de neutrinos cósmicos de alta energia. Já a Química laureou Henri Kagan (França) e Kenso Soai (Japão) por suas pesquisas em mecanismos de produção de medicamentos.

O cenário de 2025 se assemelha a edições recentes. Em 2024, a única mulher laureada foi Mary E. Brunkow (EUA) em Medicina, dividindo o prêmio com dois homens. As outras seis premiações científicas daquele ano foram exclusivamente masculinas. A edição de 2023 também foi marcada por uma forte predominância masculina, com apenas uma mulher entre os vencedores.

Historicamente, a presença feminina nos prêmios Nobel de Ciências é notável por sua escassez. Desde 1901, apenas em 21 anos houve mulheres entre os laureados nas categorias de Medicina, Física e Química. No total, 26 mulheres foram reconhecidas, sendo Marie Curie a única a receber o prêmio duas vezes em áreas científicas distintas: Física em 1903 e Química em 1911. Em contrapartida, 641 homens foram laureados, com quatro deles recebendo a honraria em duplicidade.

As premiações exclusivamente femininas são ainda mais raras. Apenas três mulheres receberam o Nobel de Ciências sozinhas: Marie Curie em 1911, pela descoberta do rádio e polônio; Dorothy Crowfoot Hodgkin (Egito) em 1964, por suas pesquisas com raios X em substâncias bioquímicas; e Barbara McClintock (EUA) em 1983, pela descoberta dos elementos genéticos móveis. Em anos com mais de uma mulher laureada, como 2018 e 2023, foram duas homenageadas, e em 2009 e 2020, três mulheres dividiram o reconhecimento.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Comitê do Nobel.

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