Lula defenderá soberania e multilateralismo em discurso na ONU
Lula defenderá soberania e multilateralismo em discurso na ONU

Lula defenderá soberania e multilateralismo em discurso na ONU

Discurso na ONU deve reforçar defesa da não interferência em assuntos internos Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja usar seu discurso na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, para defender a soberania dos países e a não interferência estrangeira em seus assuntos […]

Resumo

Discurso na ONU deve reforçar defesa da não interferência em assuntos internos

Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja usar seu discurso na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, para defender a soberania dos países e a não interferência estrangeira em seus assuntos domésticos. A fala, prevista para a próxima terça-feira (22), pode ser interpretada como uma mensagem direcionada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento de apreensão do governo brasileiro quanto a possíveis ações americanas que beneficiem o candidato à reeleição, Flávio Bolsonaro (PL), em um eventual segundo turno.

Esta que deve ser a última participação de Lula no evento como chefe de Estado, caso não seja reeleito em outubro, traz um peso adicional à sua fala. O Brasil tem a tradição de abrir as sessões anuais da Assembleia-Geral, realizada em Nova York. O presidente já havia defendido a integridade do sistema eleitoral brasileiro em conversa telefônica com Trump no final de agosto. Recentemente, Trump mencionou manter uma “boa relação” com o Brasil, mas evitou citar diretamente Lula, ao mesmo tempo em que reivindicou ter auxiliado na eleição de líderes de direita na América Latina.

As informações sobre o conteúdo do discurso foram divulgadas durante um briefing à imprensa no Palácio Itamaraty, em Brasília, pelo secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey. Segundo ele, além da defesa da não ingerência, Lula deverá fazer uma forte defesa do multilateralismo, em linha com a posição brasileira diante do cenário de escalada de conflitos internacionais. O embaixador ressaltou que o discurso é definido pela Presidência e pode sofrer alterações até o último momento.

Defesa do multilateralismo e do direito internacional

O embaixador Cozendey destacou que o presidente Lula deve reiterar sua defesa por negociações de paz em diversas esferas, o respeito ao direito internacional humanitário e, explicitamente, a não interferência nas ações internas de outras nações. A agenda de Lula em Nova York inclui sua chegada no domingo (20) e partida na terça (22), com a segunda-feira (21) reservada para reuniões bilaterais. Uma possível reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, figura de oposição a Trump, está sendo avaliada pelo lado brasileiro.

Cozendey também informou que não há expectativa de um encontro formal entre Lula e Trump, nem conhecimento de pedidos nesse sentido por parte dos governos brasileiro ou americano. No entanto, um encontro informal nos bastidores do evento, similar ao que ocorreu no ano anterior, quando os dois líderes relataram “excelente química”, não está descartado. A relação entre os chefes de Estado se deteriorou significativamente desde então.

Tensões comerciais e segurança pública como pano de fundo

O discurso ocorre em um contexto de tensões comerciais, com a imposição de tarifas pelos EUA sobre produtos brasileiros, classificadas por Lula como “infundadas”. Uma tarifa de 25% foi aplicada por supostas práticas comerciais desleais, somada a outra de 12,5% por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado. Adicionalmente, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pela Casa Branca, decisão apoiada por Flávio Bolsonaro, é outro ponto de atrito.

A segurança pública, tema sensível para a popularidade do presidente, deve ser abordada no discurso, com Lula apresentando os esforços do Brasil na área, apesar das críticas americanas. O embaixador mencionou acordos bilaterais e cooperações com países vizinhos e com os EUA para troca de informações e responsabilização de entidades criminosas. Além disso, Lula deve destacar iniciativas internacionais apoiadas pelo Brasil, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Agenda em Nova York inclui encontro com Secretário-Geral da ONU

Durante sua estadia em Nova York, o presidente Lula tem um encontro agendado com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres. A pauta inclui discussões sobre a Iniciativa ONU80, plano de reforma da organização, e o Conselho de Segurança. Outras reuniões bilaterais estão em negociação e aguardam confirmação oficial do Itamaraty.

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