Jurista Ives Gandra Martins avalia declarações de Flávio Bolsonaro e o papel do STF no pleito
O jurista Ives Gandra Martins avaliou as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o resultado das eleições presidenciais, considerando um erro a autodeclaração do parlamentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em entrevista à Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, Gandra também criticou o que chamou de “interferência do Supremo Tribunal Federal nas eleições”.
“Houve interferência do Supremo Tribunal Federal nas eleições e os métodos usados pelo presidente Lula para se reeleger merecem todas as críticas. Flávio deveria ter focado nisso. Mas eleição é definida pelos eleitores, que escolheram Lula. Então, ele é o presidente”, afirmou o jurista. Gandra destacou que o pacote de auxílios implementado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha custou cerca de R$ 300 bilhões e sugeriu que o petista contou com a “preferência do STF” para sua reeleição.
As declarações de Ives Gandra surgem em um contexto de polêmica gerada por Flávio Bolsonaro, que inicialmente divulgou uma carta se autoproclamando o “verdadeiro presidente eleito”. Cerca de uma hora depois, o senador recuou e divulgou uma nova versão, afirmando que seria o “líder do Brasil”. Gandra considerou que Flávio “fez bem” ao corrigir a declaração, reforçando que a eleição é decidida pelos eleitores e que Lula, que venceu por uma margem de aproximadamente 4,4 milhões de votos, é o presidente eleito.
Contexto da polêmica e viagem de Flávio Bolsonaro
A polêmica em torno das declarações de Flávio Bolsonaro ganhou força após ele, sem apresentar provas, alegar “fraude eleitoral”. Sua mudança de discurso ocorreu em meio a desdobramentos de uma intimação da Polícia Federal, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator de um inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz. Moraes determinou a entrega de passaportes, proibiu Flávio de deixar o país e de manter contato com Tomaz.
Pouco tempo depois, surgiram rumores sobre uma possível saída do país, inicialmente divulgados pelo site argentino Infobae. Aliados do senador alegaram que a decisão teria como objetivo evitar perseguição política. No final da noite de terça-feira (27), notícias indicavam que Flávio e sua família já haviam desembarcado nos Estados Unidos. Contudo, o pouso ocorreu na manhã de quarta-feira (28) em um aeroporto executivo em Opa-Locka, na Flórida, após uma viagem em jato particular que partiu da Argentina, com escala no Equador.
