Trump elogia Flávio Bolsonaro e prevê segundo turno acirrado no Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) no primeiro turno das eleições brasileiras. Em declarações a jornalistas na Casa Branca, Trump classificou o resultado como “uma grande vitória, bem apertada, mas uma grande, grande vitória. Incrível”. O candidato bolsonarista obteve 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. O republicano também previu uma disputa acirrada no segundo turno, afirmando que “vai ser muito acirrada”.
As informações foram reunidas a partir de declarações de Donald Trump a jornalistas e reportagens divulgadas pela imprensa.
Aliados americanos e divergências internas
Antes da manifestação de Trump, havia incertezas entre aliados do senador nos EUA sobre um possível endosso explícito do presidente americano. Uma fonte próxima ao candidato havia considerado improvável uma declaração pública de apoio, ressalvando, no entanto, a conhecida imprevisibilidade de Trump. Internamente no governo americano, alguns indicados politicamente defendiam uma postura mais dura em relação a um eventual governo Lula, citando divergências ideológicas, questões de “censura”, a aproximação do Brasil com o Irã e a resistência de Lula a pressões de Trump. Contudo, essa posição não é unânime, com setores estratégicos dos EUA, especialmente focados em minerais críticos brasileiros, buscando preservar a cooperação econômica com o país.
Histórico de declarações e polêmicas
Na véspera do primeiro turno, Trump chegou a publicar em sua rede social Truth um elogio à rapidez da apuração de votos na Índia, trocando o país e corrigindo posteriormente a informação para citar a eleição presidencial brasileira, sem mencionar candidatos. A votação ocorre em um contexto de relações bilaterais fragilizadas, com o governo Lula vendo ações de Trump como tentativas de interferência eleitoral, como a aplicação de tarifas e sanções a autoridades brasileiras. Na semana anterior, Trump já havia declarado que observava o pleito brasileiro “muito de perto”, mas sem citar ou endossar nenhum candidato específico.
Repercussão entre aliados e a família Trump
Aliados próximos a Trump já vinham comentando o pleito. O ex-estrategista de campanhas de Trump, Jason Miller, parabenizou o senador brasileiro, enquanto deputados republicanos como Maria Elvira Salazar e Carlos Gimenez criticaram Lula ao celebrar o bom desempenho de Flávio. Nesta segunda-feira, Donald Trump Jr., filho do presidente americano, atribuiu o bom desempenho da direita na América Latina ao desmonte da USAID (agência americana de ajuda internacional) durante o segundo mandato de seu pai. Ele afirmou, sem apresentar evidências, que a agência promovia “interferência eleitoral” ao destinar bilhões de dólares a ONGs e programas que, segundo ele, sempre apoiavam a esquerda. Trump Jr. agradeceu a Elon Musk, que também comentou as eleições brasileiras no mesmo contexto, acusando a USAID de envolvimento em “interferência eleitoral e mudança de regime em todo o mundo”.
