Cerca de 55% dos senadores eleitos para a próxima legislatura declararam apoio à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento intensifica a pressão conservadora sobre a Corte e pode influenciar o futuro do Judiciário no país.
Dos 54 candidatos que conquistaram uma cadeira no Senado nas eleições de 2026, 30 expressaram publicamente ser favoráveis ao impeachment de ministros do STF. Este percentual, que representa mais da metade das vagas em disputa, sinaliza uma crescente articulação política voltada para a responsabilização dos magistrados da Suprema Corte. A pauta ganhou força em meio a uma escalada de tensões institucionais, especialmente após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um processo que apura supostas ligações entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O Senado Federal possui a prerrogativa constitucional de aprovar a indicação de ministros ao STF e também de autorizar a abertura de processos de impeachment contra eles. A intensificação desse debate, impulsionada por figuras de destaque da direita conservadora, como o PL, que projeta ter uma bancada de 28 senadores a partir de 2027, visa construir uma maioria capaz de viabilizar a abertura de tais processos. O primeiro passo nessa estratégia seria a conquista da presidência do Senado em fevereiro, o que daria controle sobre a pauta de votações.
As informações foram reunidas a partir de um levantamento realizado pela Gazeta do Povo.
Senadores eleitos e suas posições sobre o impeachment
A lista de senadores eleitos com posicionamento favorável ao impeachment inclui nomes como Mário Bittar (PL-AC), que defende a cassação de Alexandre de Moraes; Plínio Valério (PSDB-AM), que expressou esperança na formação de quórum para o impeachment; e Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL-DF), ambas defensoras de processos contra ministros. Evair de Melo (Republicanos-ES) e Gustavo Gayer (PL-GO) também manifestaram apoio, com Gayer tendo sido alvo de processos no STF. Lahesio Bonfim (Novo-MA), Mauro Mendes (União-MT) e José Medeiros (PL-MT) são outros nomes que se somam a essa frente.
Em Mato Grosso do Sul, a dupla eleita pelo PL, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, criticou o que chamam de “protagonismo inusitado” do STF. Em Minas Gerais, Domingos Sávio (PL) acusa a Corte de excessos. No Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) se declararam favoráveis ao impeachment, com Dallagnol tendo a confirmação de sua vitória dependente de julgamento judicial. No Rio de Janeiro, Carlos Jordy e Carlos Portinho (PL) pressionam pela continuidade dos processos. Styvenson Valentim (Podemos-RN) defendeu limites para o STF, enquanto Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo-RS) reforçam a pauta.
Rondônia elegeu Fernando Máximo e Bruno Scheid (PL), ambos favoráveis ao impeachment de ministros que cometem crimes. Nicoletti e Teresa Surita (MDB-RR) também se manifestaram contra o que consideram “abusos” da Corte e defenderam reformas. Em Santa Catarina, Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro (PL) reforçam a bancada pró-impeachment. Já em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) defenderam a abertura de discussões sobre o tema.
Sergipe terá Alessandro Vieira (MDB) como senador, que pediu o indiciamento de ministros do STF na CPI do Crime Organizado e classificou Alexandre de Moraes como um “cadáver jurídico”. Eduardo Gomes (PL-TO) reafirmou sua posição favorável ao impeachment ao assinar um pedido contra Moraes.
Novas senadoras e a discussão sobre reformas
Algumas candidatas eleitas também indicaram que pretendem debater o tema. Marília Campos (PT-MG) afirmou que, se houver conduta comprovadamente incompatível com a lei, o impeachment precisa ser discutido. Mara Rocha (Republicanos-AC) defendeu a reforma do STF, incluindo a limitação do mandato dos ministros, argumentando que o poder vitalício pode levar à concentração e desequilíbrio.
Por outro lado, alguns estados tiveram candidatos eleitos que não se posicionaram sobre o impeachment ou declararam ser contrários. Em Alagoas, Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) não se manifestaram. Os senadores eleitos no Amapá, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí também não se posicionaram ou se declararam contrários à abertura de processos contra ministros do Supremo.
A articulação em torno do impeachment de ministros do STF ganha contornos mais definidos com a nova composição do Senado, aumentando a expectativa sobre os próximos passos na relação entre os Poderes.
