A ideia da Trilha Interparques surgiu da necessidade de integrar e valorizar as áreas verdes da Zona Sul de São Paulo, criando um corredor ecológico e uma rota de lazer para ciclistas. Com seus 182 km, o percurso é um convite para explorar a biodiversidade e as paisagens naturais da região, mas sua concepção inicial levantou preocupações.
Renata Falzoni, jornalista e vereadora pelo PSB de São Paulo, conhecida ativista do ciclismo, compartilhou sua experiência inicial com a trilha. Ao tentar percorrê-la a pé, logo no trecho inicial próximo à Balsa da Ilha do Bororé, deparou-se com uma via recém-asfaltada que atraía tráfego motorizado intenso e sem acostamento. Essa situação a levou a ter que desviar para o mato para evitar acidentes, resultando em uma experiência negativa e no abandono do percurso naquele momento.
Desafios e potencial da rota
Falzoni explica que a percepção de perigo ocorreu devido ao trecho inicial, que foi recentemente pavimentado e, por isso, atraiu mais veículos. Ela ressalta que, ao adentrar a “single track” – trilhas estreitas que permitem a passagem de apenas uma bicicleta por vez –, o trajeto se torna mais seguro e prazeroso, com a possibilidade de se deslocar por dentro de áreas arborizadas até o Parque Itaim.
A vereadora admite que a presença de veículos motorizados em alguns pontos da trilha ainda representa um obstáculo. No entanto, ela aponta que existem ferramentas e justificativas políticas para mitigar esse problema, como a própria legalização da rota. Falzoni lamenta que, atualmente, para desfrutar plenamente da Interparques, seja necessário o uso de carros para acessar diferentes trechos ou a utilização de aplicativos de transporte, o que foge do ideal de uma rota contínua e acessível por bicicleta.
Desenvolvimento e oportunidades
A oficialização da Trilha Interparques tem impulsionado o desenvolvimento local. Ciclistas experientes já realizam o percurso completo em um único dia, enquanto ciclistas amadores podem levar até cinco dias para completá-lo. Essa movimentação tem estimulado o surgimento de pousadas ao longo do trajeto e a oferta de produtos e serviços voltados para o público ciclista.
Durante a pandemia, um movimento de retorno às antigas chácaras na Zona Sul impulsionou a produção local. Falzoni cita exemplos como conservas de cogumelos, mel e geleia de araçá-vermelho, demonstrando o potencial de economia criativa e de aproximação entre os visitantes e a produção regional, incentivando, quem sabe, até mesmo aqueles que não pedalam a se aventurarem em passeios mais curtos.
