Reta final das eleições: redes sociais, conflitos familiares e medo afetam a saúde mental
Reta final das eleições: redes sociais, conflitos familiares e medo afetam a saúde mental

Reta final das eleições: redes sociais, conflitos familiares e medo afetam a saúde mental

A intensificação da ansiedade no período eleitoral A proximidade das eleições tem intensificado os níveis de ansiedade e angústia em muitas pessoas. A exposição constante a notícias, pesquisas eleitorais e o bombardeio de informações nas redes sociais, somados a conflitos familiares e ao receio da vitória de um candidato adversário, transformam a reta final do […]

Resumo

A intensificação da ansiedade no período eleitoral

A proximidade das eleições tem intensificado os níveis de ansiedade e angústia em muitas pessoas. A exposição constante a notícias, pesquisas eleitorais e o bombardeio de informações nas redes sociais, somados a conflitos familiares e ao receio da vitória de um candidato adversário, transformam a reta final do pleito em um período desafiador para a saúde mental. Essa realidade tem sido vivenciada por muitos, como no caso de Ingrid Battisti, 32, que ao retornar para Campo Grande (MS) após um período em São Paulo, reencontrou um ambiente familiar com opiniões políticas divergentes, intensificadas pela atmosfera eleitoral.

“Agora com a proximidade das eleições as pessoas têm ficado muito mais reativas”, relata Ingrid, que percebe uma mudança no comportamento das pessoas com quem convive desde a infância. O cenário é agravado pela forma como as campanhas eleitorais exploram narrativas que constroem cenários de caos ou de consequências graves, utilizando estratégias de mobilização baseadas em medo, inspiração, esperança e resgate, conforme explica Marcelo Vitorino, consultor de marketing político. Ele aponta que as redes sociais, em particular, permitem uma comunicação mais confrontadora e provocadora, com maior aceitação do que em mídias tradicionais.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por especialistas em psicologia e marketing político.

Estratégias para preservar o bem-estar mental

Diante desse quadro, especialistas recomendam a adoção de estratégias para a autopreservação e o estabelecimento de limites. A psicóloga Carla Slongo, conselheira do CRP-PR, sugere que, ao identificar um interlocutor propenso a reações negativas, a pessoa pode optar por se preservar dizendo: “Eu não quero, eu não vou falar sobre isso”. Essa atitude, segundo ela, quebra o padrão de comportamento do outro sem que a pessoa deixe de se posicionar politicamente.

A psicóloga Natália Aguilar, especialista em Gestalt-terapia, reforça que o organismo humano não foi projetado para um estado de alerta constante. Ela desmistifica a ideia de que é preciso escolher entre a alienação total e o acompanhamento exaustivo das eleições. A chave, segundo Aguilar, está em estabelecer limites para o consumo de informações, priorizando fontes confiáveis, definindo horários específicos para se atualizar e evitando a checagem compulsiva das redes sociais. Ingrid Battisti adotou essa prática ao deixar o Twitter em 2022 e passar a selecionar mais criteriosamente suas fontes e horários de informação, o que a ajudou a se afastar do bombardeamento de dados e a ter mais clareza.

Aguilar também enfatiza a importância de preservar o sono, a atividade física, o trabalho, o lazer e a convivência com familiares e amigos fora do âmbito político. Reconhecer os limites do próprio controle sobre as variáveis eleitorais é fundamental para gerenciar a ansiedade.

O impacto da incerteza e do medo no eleitor

A incerteza sobre o resultado eleitoral e a possibilidade de uma vitória do candidato adversário são fatores que podem agravar o estado de saúde mental dos eleitores. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que o processo eleitoral pode ter um impacto significativo na saúde mental pública. Um levantamento com 500 mil adultos durante as eleições de 2016 revelou que o processo de escolha de representantes afeta o bem-estar. Em 2020, 81% dos adultos americanos relataram que o futuro político da nação era uma fonte considerável de estresse.

A psicóloga comportamental Leticia de Oliveira explica que esse estresse está ligado à sensação de falta de controle sobre um resultado que afeta a vida de todos, mas que não depende apenas da escolha individual. A eleição expõe a imprevisibilidade, a falta de controle e a sensação de injustiça, pois o futuro é depositado nas mãos de terceiros. A incerteza pode alimentar sentimentos como medo, raiva e impotência, especialmente quando exacerbados pelo excesso de informação. Essa vulnerabilidade pode ser ainda maior em indivíduos que já enfrentam questões pessoais mal resolvidas.

Identificando sinais de alerta e buscando o equilíbrio

A linha entre a preocupação normal e a ansiedade que afeta a rotina pode ser identificada por meio de sinais como dificuldade para dormir, irritabilidade, problemas de concentração, necessidade compulsiva de verificar notícias, sensação permanente de ameaça, conflitos interpessoais por divergências políticas e dificuldade em se desconectar do assunto durante momentos de descanso. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para buscar o equilíbrio e proteger a saúde mental em períodos eleitorais.

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