Presidente iraniano atribui aos EUA a responsabilidade pelo fim da guerra na região
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que cabe aos Estados Unidos a decisão de encerrar o conflito no Oriente Médio, assegurando que Teerã não tem interesse em prolongar as hostilidades. Em entrevista à Fox News, exibida nesta quinta-feira (24), Pezeshkian adotou um tom desafiador, ecoando sua postura na Assembleia Geral da ONU, onde afirmou que o Irã não se curvaria a Washington. Ele apontou as ações de Israel como instigadoras da guerra, mas reiterou o desejo de cessá-la.
As declarações surgem em um momento de retomada de negociações indiretas entre o Irã e os Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, participou de um encontro com enviados de Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, à margem da Assembleia da ONU. Estas foram as primeiras conversas diretas entre os dois países desde o final de junho.
O Irã comunicou suas condições para retomar a diplomacia por meio de um mediador do Catar. Entre as exigências estão a aceitação da rota do estreito de Hormuz, o fim das sanções e do bloqueio naval, a liberação de ativos congelados e o encerramento da guerra em todas as frentes. Pezeshkian questionou o colapso de um cessar-fogo anterior, sugerindo que a decisão de desmantelá-lo partiu dos EUA.
Tensões com Israel e o papel dos Houthis no Iêmen
Paralelamente, Israel intensificou sua campanha de comunicação em Nova York, exibindo anúncios que criticam a República Islâmica, com mensagens como “Irã nuclear é uma ameaça ao mundo todo”. A situação no Iêmen também é um ponto de atrito, com a escalada da violência entre os rebeldes Houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita. Pezeshkian negou que Teerã ordene as ações dos Houthis, atribuindo-lhes autonomia em sua resistência regional.
Washington e seus aliados acusam o Irã de apoiar os Houthis, que têm lançado mísseis balísticos contra o território saudita e lutam pelo controle do Iêmen. O presidente iraniano, no entanto, afirmou ter apenas “contatos” com os Houthis, sem uma “relação sistemática”.
Acusações na ONU e impacto energético
Durante um discurso na ONU, o vice-presidente iemenita, Abdullah al-Alimi-Bawazir, reiterou as acusações de que os Houthis servem a uma “agenda iraniana”. A Arábia Saudita, por sua vez, relatou a interceptação de novos mísseis balísticos, incluindo alertas para regiões como Meca. Os Houthis impuseram um bloqueio naval aos sauditas, atacando petroleiros e territórios, o que impactou o fornecimento e elevou os preços da energia.
A entrevista de Pezeshkian e as conversas diplomáticas sugerem um cenário complexo, onde a possibilidade de desescalada no Oriente Médio parece estar intrinsecamente ligada às decisões políticas dos Estados Unidos, enquanto as tensões regionais continuam a gerar instabilidade e a afetar mercados globais.
