O Partido Liberal (PL) busca repetir o desempenho expressivo nas eleições para a Câmara dos Deputados, apostando em uma estratégia multifacetada que inclui a força dos “puxadores de voto” e a influência de figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda mira em nomes com forte apelo digital e candidatos que carregam o peso do sobrenome para ampliar sua representatividade no Congresso Nacional.
Em 2022, o PL obteve um resultado notável, impulsionado por nomes como Nikolas Ferreira, que se tornou o deputado federal mais votado do país, e Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos com expressivas votações. Para as próximas eleições, o partido busca replicar esse sucesso em São Paulo, estado que teve a saída de Zambelli e Eduardo, com novos rostos que prometem atrair um grande número de eleitores. A estratégia consiste em lançar candidatos com potencial para mobilizar um eleitorado expressivo, visando aumentar o número de eleitos pelo sistema proporcional.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados sobre as candidaturas e o histórico eleitoral dos nomes mencionados.
Novos rostos e velhas estratégias
Um dos pilares da estratégia do PL é o deputado federal Nikolas Ferreira (MG), que, com 30 anos, já demonstrou um poder de mobilização impressionante, sendo o político mais influente nas redes sociais brasileiras. Sua capacidade de engajamento e a expressiva votação de 1,49 milhão de eleitores em Minas Gerais em 2022 o colocam como uma aposta certa para o partido. Apesar de sua juventude, que o impede de concorrer a cargos como senador ou presidente, seu nome já é ventilado para futuras disputas presidenciais.
Em São Paulo, a aposta recai sobre Lucas Pavanato (SP), vereador com forte presença digital, especialmente no TikTok e Instagram, onde acumula cerca de 8 milhões de seguidores. Aos 28 anos, Pavanato foi o candidato a vereador mais votado em São Paulo em 2024, replicando a fórmula de sucesso de Nikolas Ferreira. Outro nome forte no estado é o deputado estadual Gil Diniz (SP), conhecido como “carteiro reacionário”, que conta com o apoio de Eduardo Bolsonaro e defende bandeiras conservadoras. O partido também aposta em Padre Kelmon (SP), que disputou a presidência em 2022 e se filiou ao PL em 2024, e em Renato Bolsonaro, irmão mais novo do ex-presidente, que promete manter a linha conservadora.
Herdeiros políticos e figuras conhecidas
A influência do sobrenome Bolsonaro se estende a outros candidatos. Jair Renan Bolsonaro (SC), filho “04” do ex-presidente, busca uma vaga na Câmara dos Deputados, utilizando o nome “Jair Bolsonaro” nas urnas para capitalizar o eleitorado conservador de Santa Catarina. Ele já foi vereador em Balneário Camboriú, sendo o mais votado em 2022. Rogéria Bolsonaro (RJ), ex-esposa de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, também retorna à cena política, buscando um cargo de deputada federal após ter sido eleita vereadora no Rio de Janeiro na década de 1990.
Outros nomes de peso incluem Júlia Zanatta (SC), deputada federal reeleita em 2022 e conhecida por suas pautas conservadoras e o uso da tiara com flores em eventos oficiais. Ela também atua na campanha para eleger o marido, Guilherme Colombo (PL), deputado estadual. Rosângela Moro (PR), esposa do senador Sergio Moro, disputa a reeleição à Câmara dos Deputados pelo Paraná, após migrar do União Brasil para o PL. Por fim, Priscila Costa (CE), vice-presidente do PL Mulher e aliada de Michelle Bolsonaro, é uma vereadora com forte apelo conservador e evangélico, conhecida por sua atuação em defesa da família e da vida.
