OMS busca clareza sobre caso de peste na Rússia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que não possui um quadro completo da situação envolvendo a morte de uma funcionária de um laboratório na Rússia, que, segundo reportagens, teria sido vítima da peste pneumônica. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização ainda não é capaz de realizar uma avaliação integral do risco associado ao evento. As informações foram divulgadas na quarta-feira (7).
O caso remete a uma técnica de laboratório de 28 anos que trabalhava em um instituto de pesquisa especializado em peste na região de Irkutsk, na Sibéria. A hipótese corrente é de que ela tenha sido infectada após o rompimento de um tubo de ensaio. A peste pneumônica é uma infecção bacteriana grave e altamente contagiosa, que afeta os pulmões e pode ser transmitida pelo ar, por exemplo, através da tosse.
EUA pressionam por informações e Rússia minimiza riscos
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, minimizou os relatos veiculados pela imprensa russa, classificando-os como “informações falsas” e reiterando que apenas comunicados oficiais das autoridades russas são confiáveis. Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que planejava uma ligação com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir o caso, embora Peskov tenha negado um acordo prévio para tal conversa. Trump também indicou que a morte da pesquisadora não parecia estar relacionada a uma arma biológica, mas que os EUA solicitaram formalmente mais detalhes à Rússia.
A OMS também solicitou esclarecimentos sobre relatos de uma “segunda funcionária com pneumonia de causa indeterminada” no mesmo instituto, algo que a Rússia negou na quinta-feira. Enquanto os Estados Unidos, a União Europeia e a OMS clamam por transparência, as autoridades russas insistem que a população local não corre perigo. A agência de saúde do país afirmou que investigações não identificaram “nenhuma situação de emergência” e que as medidas preventivas para contatos da funcionária falecida foram concluídas. Segundo o órgão, mais de 90% dos contatos já finalizaram o período de observação médica, e testes laboratoriais em larga escala não detectaram microrganismos perigosos.
Mongólia adota medidas de vigilância
Em resposta à situação, a Mongólia anunciou a implementação de “medidas de vigilância e monitoramento sanitário” em sua fronteira com a Rússia. A peste pneumônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, é tratável com antibióticos se diagnosticada precocemente, mas pode evoluir rapidamente para quadros graves quando a infecção se espalha para os pulmões.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela OMS, agências de notícias internacionais e comunicados das autoridades russas.
