Lula pressiona senadores e pede apoio para fim da escala 6×1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a pressão sobre o Congresso Nacional, direcionando um desafio explícito ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao Partido Liberal (PL) para que votem a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. A matéria está em discussão no Senado Federal, com a terceira rodada de debates ocorrendo nesta quinta-feira (8) e a expectativa de votação para o dia 15 de fevereiro. Em uma reunião com apoiadores, Lula declarou: “Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável e a pedir para o PL votar favorável”.
A proposta em debate no Senado busca alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para garantir um descanso semanal remunerado de dois dias, não consecutivos, a cada seis dias de trabalho. Lula criticou veementemente a alternativa apresentada por Flávio Bolsonaro, que sugere a negociação de horas trabalhadas em vez da garantia de dois dias de folga. O presidente petista classificou esse modelo como um “acordo leonino”, indicando que ele seria prejudicial aos trabalhadores.
PEC da Segurança Pública também é pauta de Lula no Senado
Paralelamente à cobrança sobre a escala 6×1, o presidente Lula também utilizou o discurso para pressionar o Senado a agilizar a aprovação da PEC da Segurança Pública. A proposta tem como objetivo ampliar a participação da União no combate ao crime organizado e prevê a criação de um Ministério da Segurança Pública. Lula argumentou que os estados, sob o modelo constitucional de 1988, não têm conseguido enfrentar sozinhos a complexidade do problema.
“Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui pra frente”, afirmou o presidente, detalhando que a mudança constitucional visa fortalecer a atuação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal. Uma das medidas centrais da PEC é a transformação de 138 presídios regionais em unidades de segurança máxima. O objetivo é coibir a atuação de facções criminosas dentro do sistema prisional. “Nós estamos transformando 138 presídios regionais, onde o Comando Vermelho e o PCC comandam o crime, em cadeia de segurança máxima, para que a gente possa acabar com o crime”, concluiu Lula.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem criticado a proposta do governo sobre a escala de trabalho, defendendo que a discussão seja adiada para após as eleições. Ele classificou a iniciativa como eleitoreira e oportunista, mas ainda não definiu sua posição ou como orientará a bancada do PL no Senado. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de um candidato à presidência, declarou que a bancada ainda não tem posição definida e defende uma escala mais flexível.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Planalto e pela imprensa.
