Ministro Benedito Gonçalves, do STJ, trocou mensagens com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com tom de amizade
O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, em conversas que indicam uma relação de amizade. As mensagens, obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro, revelam que os dois combinavam encontros e se tratavam de forma informal. A relação entre o magistrado e o empresário preso ganhou novos contornos após Gonçalves se declarar impedido de julgar processos relacionados ao Banco Master na Corte no primeiro semestre deste ano.
A apuração, divulgada pela Folha de S. Paulo, aponta que os diálogos ocorreram ao longo de 2024. Em uma das trocas de mensagens, datada de 17 de maio, Gonçalves comenta sobre uma festa promovida pelo Banco Master: “Boa noite feliz em rever o amigo. Festa bonita! Parabéns! Ab Benedito”. Vorcaro respondeu chamando o ministro de “caro amigo” e sugerindo um encontro posterior: “Vamos marcar o charuto em Brasília”.
Os contatos continuaram em 2 de julho, quando Vorcaro escreveu: “Grande amigo tudo bem? Vamos marcar encontro em Brasília no seu retorno do Rio!”. Benedito Gonçalves confirmou sua chegada no dia 29 e prometeu entrar em contato, afirmando estar “sempre à disposição”. No mesmo dia, o ministro enviou um emoji de aperto de mãos com a frase “tamo junto sempre”.
Em abril deste ano, Benedito Gonçalves também teria participado de um evento em Londres patrocinado por Vorcaro, que incluiu uma degustação de uísque Macallan para autoridades.
Corregedor do CNJ e a investigação
Benedito Gonçalves ocupa o cargo de corregedor no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) até 2028. Nesta função, ele é responsável por receber reclamações e denúncias sobre possíveis irregularidades cometidas por magistrados, além de conduzir sindicâncias e correições.
Ao assumir a corregedoria, Gonçalves declarou que sua gestão seria pautada por “orientar antes de sancionar” e “prevenir antes de reprimir”, buscando combinar rigor técnico com diálogo. Ele afirmou que o papel do CNJ é contribuir para que a Justiça seja acessível, eficiente e comprometida com a sociedade.
A reportagem da Gazeta do Povo buscou contato com o ministro Benedito Gonçalves através do STJ e do CNJ para obter um posicionamento sobre a apuração, mas aguarda retorno.
