Nova pesquisa aponta para origem precoce da vida na Terra
Formas rudimentares de vida podem ter surgido na Terra relativamente cedo em sua história, há cerca de 4,33 bilhões de anos, de acordo com um estudo recente publicado na revista Nature Communications. Pesquisadores da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, utilizaram simulações computacionais para reconstruir as condições ambientais do planeta em seus primórdios. Eles concluíram que, após a formação da Lua e a diminuição dos intensos bombardeios celestes, surgiram ambientes com fontes termais de água que seriam ideais para a gênese do chamado “mundo de RNA”.
Nesta fase hipotética da evolução, a molécula de RNA, considerada uma “prima” do DNA, já seria capaz de armazenar informações genéticas e, simultaneamente, coordenar sua própria multiplicação. A pesquisa, liderada por Oleg Abramov e Stephen Mojzsis, combina dados sobre as rochas mais antigas do planeta, como os minerais de zircão, com informações sobre a formação do Sistema Solar, incluindo estudos de rochas lunares para entender a vizinhança da Terra primitiva.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela revista Nature Communications.
Um planeta hostil e a busca por condições favoráveis
O período inicial da Terra, conhecido como éon Hadeano (aproximadamente de 4,5 a 4 bilhões de anos atrás), foi marcado por eventos cataclísmicos. A formação do planeta foi seguida por um impacto colossal que gerou um oceano global de magma e vaporizou a atmosfera. A superfície terrestre passou por ciclos de resfriamento e derretimento, agravados pela queda esporádica de objetos celestes com mais de 500 km de diâmetro, capazes de vaporizar oceanos e elevar a temperatura superficial acima de 300°C por milênios. Processos de convecção no manto terrestre também aceleravam a “reciclagem” da crosta, tornando o ambiente extremamente instável e inóspito para a formação de moléculas orgânicas, que necessitam de temperaturas significativamente mais baixas para manter sua integridade.
O “Mundo de RNA” e a replicação como alicerce da vida
Para que a vida surgisse, além do fim da instabilidade planetária, era necessário que moléculas orgânicas se formassem em grande quantidade e em concentrações elevadas para interagirem e darem origem a reações químicas complexas e autossustentáveis. Os sistemas baseados em RNA são fortes candidatos a protagonistas desse processo. A capacidade do RNA de armazenar informações e, ao mesmo tempo, catalisar sua própria replicação é vista como um mecanismo fundamental para o início da vida.
As simulações dos pesquisadores indicam que a queda de meteoritos “esterilizantes”, capazes de destruir moléculas orgânicas, cessou por volta de 4,4 bilhões de anos atrás. Nesse período, a crosta terrestre começou a se estabilizar, e a água líquida tornou-se mais abundante. Simultaneamente, a persistência de ambientes geotérmicos, aquecidos no subsolo, teria acelerado a formação de moléculas orgânicas em um ritmo mais rápido do que seria possível em um planeta mais “frio”. Essa combinação de fatores teria criado as condições ideais para o “mundo de RNA”, sugerindo que a vida pode ter surgido com relativa rapidez e estado presente ao longo de quase toda a história da Terra.
