Entenda como o “edging” pode revolucionar sua vida sexual
Existe uma prática sexual que promete intensificar e prolongar o prazer ao controlar o momento do orgasmo: o “edging”. Embora o termo em inglês possa soar recente, especialistas afirmam que a técnica se refere a um método antigo, conhecido na medicina e aplicável tanto a pessoas com pênis quanto com vulva. O objetivo é retardar o clímax para que a excitação seja maximizada e, consequentemente, o orgasmo, quando finalmente alcançado, seja mais potente.
A mecânica do “edging” consiste em levar o corpo ao limite da excitação, aproximando-se do orgasmo, e então diminuir ou interromper a estimulação. Essa pausa estratégica visa evitar o clímax imediato. O processo é repetido diversas vezes, permitindo que a pessoa retome os estímulos sexuais e controle o momento de atingir o ápice do prazer.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por especialistas em sexualidade e urologia.
O caminho para o controle do clímax
Apesar de sua proposta, especialistas alertam que o controle do orgasmo não é uma tarefa simples e a técnica pode não ser eficaz para todos. “Seria ideal se todo mundo tivesse esse controle, mas não é bem assim”, comenta Leonardo Seligra Lopes, supervisor da disciplina de medicina sexual da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). No entanto, o treinamento do corpo é possível, e, segundo Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo e sexólogo do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), o controle do clímax envolve aprendizado sobre regulação emocional, reconhecimento de sensações físicas e foco.
O primeiro passo, segundo Lopes, é o relaxamento e o autoconhecimento. A masturbação é apontada como uma ferramenta eficaz para esse treino, permitindo identificar quais estímulos, sejam físicos ou mentais, são mais potentes e até que ponto é possível adiar o orgasmo. A intensidade da experiência pode variar significativamente dependendo do tipo de penetração, seja vaginal ou anal.
Comunicação e benefícios para casais
As pausas na estimulação durante o “edging” podem durar apenas alguns segundos, mas não há um tempo fixo; a duração é determinada pela percepção individual. No entanto, biologicamente, existe um ponto a partir do qual a ejaculação se torna incontrolável, como explica Lopes. Ao praticar com um parceiro ou parceira, a comunicação prévia é essencial para garantir que ambos estejam na mesma sintonia e desfrutem de uma experiência prazerosa. É fundamental perceber quais toques e movimentos geram mais prazer no outro e respeitar as necessidades e limites de cada um.
Segundo o médico da SBU, um dos maiores benefícios do “edging” é o estímulo ao autoconhecimento e à percepção corporal. Para casais, a técnica pode aprofundar a intimidade e transformar o ato sexual em algo mais envolvente e menos mecânico. Vale ressaltar que o “edging” é inclusive utilizado em tratamentos para disfunções sexuais, como a ejaculação precoce, através de exercícios como o “stop-start”, que envolvem interrupções na estimulação.
Potenciais efeitos e considerações finais
Em geral, adiar a ejaculação não apresenta malefícios. Em homens, pode ocorrer o “blue balls”, um desconforto causado pela congestão nos testículos após períodos prolongados de estimulação sem ejaculação. Em alguns casos, pode acontecer de a pessoa, ao tentar segurar o orgasmo por muito tempo, acabar perdendo o clímax, especialmente se houver distrações ou ansiedade. A técnica exige tempo e dedicação, pois o objetivo é prolongar o prazer, o que demanda uma atividade sexual mais duradoura. O “edging” requer treino, o que, por si só, pode aumentar a frequência da atividade sexual, seja individualmente ou em casal.
