Deslocado de Gaza, Omar al-Hassayna sonha com o retorno após tragédia familiar
Deslocado de Gaza, Omar al-Hassayna sonha com o retorno após tragédia familiar

Deslocado de Gaza, Omar al-Hassayna sonha com o retorno após tragédia familiar

A espera no Cairo Omar al-Hassayna deixou a Faixa de Gaza rumo ao Cairo após um ataque aéreo israelense dizimar grande parte de sua família. Três anos depois, ele ainda reside na capital egípcia, nutrendo a esperança de um retorno à sua terra natal, ainda marcada pela devastação, quando a estabilidade e a segurança permitirem. […]

Resumo

A espera no Cairo

Omar al-Hassayna deixou a Faixa de Gaza rumo ao Cairo após um ataque aéreo israelense dizimar grande parte de sua família. Três anos depois, ele ainda reside na capital egípcia, nutrendo a esperança de um retorno à sua terra natal, ainda marcada pela devastação, quando a estabilidade e a segurança permitirem. Hassayna é um dos mais de 100 mil moradores de Gaza que deixaram o território desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e que, segundo dados da Autoridade Palestina, permanecem retidos no exterior, ainda lidando com a dor da perda de entes queridos e a destruição de seus lares.

“Estou esperando a oportunidade, estou esperando o momento em que Gaza se torne estável para que eu possa voltar ao meu país, ser um membro produtivo desta nação e uma força positiva para ela”, declarou Hassayna, cuja família ampliada sofreu perdas inimagináveis.

Um ataque devastador e a dispersão familiar

Em 22 de novembro de 2023, um ataque israelense destruiu um conjunto de edifícios residenciais na Cidade de Gaza onde cerca de 308 integrantes da família de Hassayna haviam se reunido em busca de refúgio. Entre as vítimas fatais estavam sua esposa, quatro de seus filhos adultos e quatro netos, incluindo um bebê de poucos meses. As Forças Armadas de Israel afirmam que seus ataques visam objetivos militares e buscam minimizar danos à população civil, mas não comentaram os detalhes específicos do incidente.

A tragédia forçou a dispersão. O filho mais velho de Hassayna, Mohammed, reside no Cairo com seus quatro filhos. A viúva de um dos filhos falecidos também está na capital egípcia com sua filha, assim como outros irmãos de Hassayna. Uma filha foi levada para tratamento médico na Turquia com seu marido e seis filhos, enquanto outra permanece em Gaza com seus cinco filhos, após a morte do marido no ataque.

A dura realidade da espera e a esperança de retorno

Em agosto, Hassayna acompanhou por vídeo, do Cairo, o sepultamento de 112 membros de sua família, cujos corpos foram retirados dos escombros. Dezenas de pessoas ainda estão desaparecidas. Antes da guerra, ele possuía uma empresa de equipamentos de segurança e combate a incêndios em Gaza. Parte de seu estoque sobreviveu, e ele vende alguns produtos esporadicamente para custear sua estadia no Egito, onde se casou novamente.

O retorno para Gaza, no entanto, ainda é uma perspectiva distante. Embora alguns políticos israelenses tenham defendido políticas para incentivar a saída em massa de gazenses e impedir o retorno dos que partiram, cerca de 7 mil pessoas conseguiram voltar. Hassayna acredita que o Egito impedirá um deslocamento em massa, mas a maioria dos que deixaram o território aguarda um cenário mais claro de reconstrução e estabilidade política. “Se Gaza voltar a existir. Se houver um acordo internacional, com uma solução abrangente para o povo palestino, e a reconstrução começar, por que eu demoraria a voltar?”, questiona.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

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