Conselho Superior do MPF mantém Paulo Gonet no caso Master e é criticado
A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) de não afastar ou investigar o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, no âmbito do caso Master gerou forte reação de políticos de direita. O colegiado entendeu, por unanimidade, que não possui competência para julgar o impedimento ou suspeição do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, o pedido para que uma apuração preliminar fosse instaurada obteve quatro votos favoráveis entre os nove conselheiros presentes, mas foi vencido pelo voto do relator, Francisco de Assis Sanseverino, que se posicionou contra qualquer medida.
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), que assinou o ofício que motivou o julgamento, classificou a sessão como “ultrajante e corporativista”. Ela questionou a possibilidade de um procurador-geral que teria recebido favores de um investigado atuar como acusador no mesmo caso. “Um cara que toma uísque, fuma charuto e pede favores para o investigado pode ser o ‘acusador’ desse mesmo investigado? No Brasil sim”, declarou Ventura.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por fontes jornalísticas.
Pedido de afastamento no STF e divergências internas
O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) buscando o afastamento cautelar de Gonet do caso. Após a votação no CSMPF, Viana ressaltou que a sessão foi presidida pelo subprocurador Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino. Contudo, o senador apontou que o afastamento do Procurador-Geral da República compete ao Senado Federal, instituição que, segundo ele, “enterra CPMI e pedido de impeachment para proteger o sistema”.
A decisão do CSMPF ocorreu paralelamente a uma liminar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, que determinou a remoção de mais de mil publicações em redes sociais com notícias falsas sobre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Mendonça, focado em combater a desinformação, celebrou a ordem, afirmando que “a mentira se combate com a verdade”.
Controvérsias e alegações de corporativismo
O julgamento no CSMPF foi desencadeado após a divulgação de uma fotografia que contrariava a alegação de Gonet de não possuir proximidade com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Carlos Viana considerou que o pronunciamento do Procurador-Geral “não bate com a foto”. A controvérsia remonta a uma sessão de setembro de 2026, na qual o ministro Gilmar Mendes chegou a confrontar André Mendonça em defesa de Gonet, classificando como “impressionante a desfaçatez” a suspeição levantada contra o procurador-geral. Até o momento, Gilmar Mendes não se manifestou sobre a decisão.
Janaína Paschoal, professora de Direito Penal da USP e vereadora paulistana, também criticou a decisão, apontando uma incompatibilidade entre as falas de alguns conselheiros e o resultado final. “Se vários conselheiros estão falando, claramente, que Gonet não poderia ter pedido o arquivamento, ou alegado nulidade, de pleito de investigação referente a si próprio, como é que votam por manter o homem no caso? Eu não consigo ver lógica! Afasta e investiga!”, expressou.
Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência, classificou a decisão de “vergonha inaceitável” por “blindar o PGR no caso Master”. Ele concluiu que “o Conselho Superior do MPF prefere fechar os olhos diante de tudo o que foi exposto com Vorcaro a dar uma resposta ao país. O corporativismo venceu a transparência!”.
