Ofensiva digital mira programas sociais e direitos trabalhistas
A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou uma estratégia digital focada em gerar o temor de cortes em programas sociais e direitos trabalhistas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A tática, que aliados do PT chamam de “terrorismo eleitoral”, ganhou força nesta semana com o apoio de influenciadores e parlamentares eleitos, visando reverter o resultado do primeiro turno, no qual o petista ficou atrás do adversário.
A orientação de Lula para a campanha seria alertar beneficiários de programas sociais e aposentados sobre possíveis extinções ou reduções de benefícios. Essa estratégia se intensificou após a reorganização da campanha no período pós-primeiro turno. Informações que circulam em redes sociais, WhatsApp e Telegram atribuem a Flávio Bolsonaro planos como a privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), o fim do Bolsa Família e a eliminação de direitos trabalhistas, conforme relatado pela equipe de campanha do PL.
Essas alegações foram desmentidas por órgãos de checagem. Publicações que associam a Flávio Bolsonaro e ao coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), anúncios sobre o fim do 13º salário, do Benefício de Prestação Continuada (BPC), o aumento da idade mínima para aposentadoria, e até mesmo o fechamento de universidades e o fim do voto feminino, foram apontadas como falsas. Uma mensagem viralizou ao sugerir uma aposentadoria aos 75 anos para homens e 72 para mulheres, além de jornadas de 12 horas diárias, misturando propostas de reformas com medidas não anunciadas por Marinho.
O programa de Flávio Bolsonaro não sustenta nenhuma das afirmações maliciosas. A imprensa verificou que a campanha do candidato se compromete a preservar programas sociais, combater fraudes previdenciárias e reduzir custos do trabalho sem retirar direitos. A equipe de Flávio negou veementemente as medidas que lhe foram atribuídas. Montagens apresentaram a proposta de contratação de atendimento privado complementar como um meio de privatizar o SUS, e a ampliação das negociações trabalhistas foi distorcida como um esforço para acabar com a CLT, o 13º e as férias.
Explorando temores com métodos variados
A ofensiva digital também incluiu boatos anteriores, como a alegação de que Flávio Bolsonaro retiraria o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Essa publicação associava um projeto arquivado em 2008 ao candidato, que negou o fato e apontou militantes petistas como disseminadores da mentira. Esse episódio, que buscou criar uma divisão entre católicos e evangélicos, foi explorado por aliados de Lula, incluindo a primeira-dama Rosângela “Janja” Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), sem o resultado esperado nas urnas.
A estratégia remete a táticas utilizadas em campanhas anteriores do PT, como em 2014, quando a propaganda de Dilma Rousseff atacou Marina Silva, então no PSB, associando sua defesa da autonomia do Banco Central a imagens de banqueiros sorrindo enquanto comida desaparecia da mesa de famílias. Diante da atual onda de desinformação, a campanha de Flávio Bolsonaro tem reagido com postagens de desmentidos, checagens e ações judiciais para identificar os autores, buscando evitar que eleitores desavisados se convençam de falsidades.
As informações foram reunidas a partir de reportagens veiculadas por diversos veículos de imprensa.
