Mudança em regra de visto na Espanha atrasa início de estágio de bolsistas da Capes

Mudança em regra de visto na Espanha atrasa início de estágio de bolsistas da Capes

Burocracia espanhola gera transtornos para bolsistas brasileiros Dezenas de bolsistas brasileiros contemplados pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) da Capes estão enfrentando atrasos significativos no início de seus estágios de pesquisa na Espanha. Uma mudança recente nas regras de concessão de visto, publicada em 7 de agosto pela Direção Geral de Gestão Migratória espanhola, […]

Resumo

Burocracia espanhola gera transtornos para bolsistas brasileiros

Dezenas de bolsistas brasileiros contemplados pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) da Capes estão enfrentando atrasos significativos no início de seus estágios de pesquisa na Espanha. Uma mudança recente nas regras de concessão de visto, publicada em 7 de agosto pela Direção Geral de Gestão Migratória espanhola, exige agora um visto de pesquisador, em detrimento do anterior visto de estudante, para estágios de doutorado e pós-doutorado.

A nova exigência demanda a apresentação de uma “autorização de residência para pesquisador” emitida pela Unidade de Grandes Empresas e Coletivos Estratégicos (UGE-CE) do Ministério de Inclusão, Segurança Social e Migrações espanhol. Para obter essa autorização, os doutorandos precisam já residir na Espanha ou possuir uma carta de aceite da universidade comprovando o vínculo. A alteração coincidiu com as férias de verão europeias, período em que muitos escritórios administrativos estiveram fechados, agravando a falta de orientação e a dificuldade em conduzir o novo trâmite.

A necessidade do visto antes do embarque resultou em adiamentos nos inícios das bolsas, conforme relatam os pesquisadores. Em carta enviada à Capes em 27 de agosto, 51 bolsistas solicitaram orientações sobre como proceder diante de vistos negados ou documentação em análise, além de pedirem a prorrogação dos prazos das bolsas e auxílio diplomático do Itamaraty. Outra demanda crucial era a revogação da exigência da Capes para que os bolsistas chegassem ao país até o dia 15 do mês de início da bolsa, sob o risco de afetar o pagamento da primeira parcela.

Respostas e soluções parciais

A Capes informou ter tomado conhecimento da situação após o recebimento da carta e que acionou a Embaixada da Espanha no Brasil. O órgão autorizou o adiamento do início das bolsas para novembro, mantendo o período original de vigência, mas confirmou que a regra de chegada até o dia 15 não poderia ser alterada. Em nota posterior, a Capes declarou que “todas as demandas apresentadas anteriormente pelos estudantes foram solucionadas”. O Ministério das Relações Exteriores orientou os doutorandos a procurarem o órgão espanhol emissor de vistos, e fontes próximas ao governo indicaram que houve interlocução com a Embaixada espanhola para resolver os casos.

A Direção Geral de Gestão Migratória espanhola confirmou que, conforme a norma, estudantes de doutorado devem solicitar uma “Autorização de Residência para Pesquisa Nacional”, que pode ser iniciada pela própria pessoa ou pela universidade. Após obter a autorização, o visto deve ser solicitado na repartição consular competente.

Entraves burocráticos e custos adicionais

A principal dificuldade apontada pelos bolsistas é a falta de informações claras e orientações sobre como proceder. Thales Ramos da Silva, doutorando em políticas públicas, relatou que as universidades espanholas não foram devidamente preparadas para o novo trâmite e muitas não sabem como auxiliar os estudantes. Juan David Sarmiento, doutorando em filosofia, mencionou que, após ser encaminhado a diversos setores, inclusive ao escritório Euraxess da União Europeia, ainda não obteve solução. Juliana Pereira Pino, doutoranda em pesquisa, teve seu visto de estudos negado e, mesmo após refazer o processo para investigação, ainda aguarda a autorização de residência.

Além do atraso, os pesquisadores acumularam custos extras com seguros-viagem, remarcação de passagens e emissão de documentação. Juliana estima ter gasto cerca de R$ 3.000 apenas com tradução e apostilamento de documentos. Emanuel Couto Brenag, doutorando em engenharia elétrica, teve sua documentação recusada no consulado e perdeu o dinheiro das passagens até o Rio de Janeiro. Outros estudantes, como Michel Menezes da Costa, tiveram que deixar seus apartamentos e morar com familiares enquanto aguardam retorno dos consulados, arcando com custos de deslocamento entre diferentes cidades para tentar obter o visto.

A Capes reiterou que é responsabilidade do bolsista providenciar o visto adequado previamente, mas ofereceu a possibilidade de alteração do início da bolsa para novembro. Quanto a bolsistas do CNPq, o conselho informou não ter conhecimento de casos anômalos relacionados à situação.

As informações foram reunidas a partir de reportagem publicada pela Folha de S.Paulo.

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