No Dia Mundial do Ovo, especialistas alertam sobre os perigos do consumo exagerado para atingir metas proteicas.
Na busca por atingir metas de proteína e otimizar o desempenho físico, o ovo tem se tornado um queridinho nas dietas de muitos praticantes de atividade física. Um exemplo é o consultor de vendas Paulo Lee, que se prepara para uma competição de fisiculturismo e incluiu cerca de 28 ovos em sua rotina diária. Para ele, o alimento, antes um complemento, agora é peça central na alimentação, demonstrando a centralidade que o ovo pode assumir na dieta de quem busca hipertrofia muscular.
Celebrado anualmente na segunda sexta-feira de outubro, o Dia Mundial do Ovo foi criado para destacar os benefícios nutricionais deste alimento. Considerado vilão no passado devido ao colesterol da gema, hoje o ovo é reconhecido como uma excelente fonte de proteínas, vitaminas e minerais essenciais. A clara, composta majoritariamente por água e albumina, é livre de gordura e colesterol, enquanto a gema concentra a maior parte desses componentes, mas também reúne nutrientes valiosos como colina, vitaminas A, D, B12, E, folato, ferro, selênio e antioxidantes para a saúde ocular.
Apesar de seus benefícios, o consumo em excesso de ovos pode ser um sinal de alerta para indivíduos com dislipidemia (colesterol alto), diabetes ou doenças renais, conforme apontam especialistas. A ingestão elevada, especialmente da gema, pode impactar negativamente a saúde desses grupos, mesmo que pesquisas recentes apresentem resultados variados sobre a relação entre o consumo de ovos e doenças cardiovasculares em populações com padrões de consumo mais moderados.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo International Egg Commission (IEC), Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
A busca pela meta proteica: mais que ovos
Para pessoas fisicamente ativas, a recomendação de ingestão proteica diária varia entre 1,4 a 2 gramas por quilo de peso corporal. Um indivíduo de 100 kg, por exemplo, precisaria consumir entre 140g e 200g de proteína. Se um ovo oferece cerca de 7g de proteína, seria necessário consumir aproximadamente 20 ovos para atingir a meta mínima, sem considerar a necessidade de outros nutrientes e componentes alimentares.
O endocrinologista Bruno Cardoso, da Sbem, considera exagerado basear a dieta primariamente em ovos. Ele enfatiza que o mais importante é atingir a meta proteica diária, e para isso, é fundamental diversificar as fontes. Peixes, frango, laticínios, leguminosas e carnes vermelhas são outras opções ricas em proteína que podem complementar a dieta de forma equilibrada.
Modos de preparo e riscos associados
A forma de preparo do ovo também influencia seu valor nutricional e segurança. Ovos cozidos ou mexidos com pouca gordura são considerados as opções mais saudáveis para o consumo diário. O ovo frito, embora não deva ser proibido, pode ter seu teor calórico elevado significativamente pela quantidade de óleo ou manteiga utilizada.
O consumo de ovo cru, por outro lado, apresenta um risco microbiológico considerável, especialmente a contaminação por Salmonella. Essa bactéria pode causar sintomas gastrointestinais como diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, especialmente em indivíduos com sistema imunológico comprometido, a infecção pode evoluir para complicações sérias como bacteremia e sepse.
Portanto, mesmo para quem não pratica atividade física intensa, consumir a quantidade mínima de proteína é essencial para manter a massa muscular e o bom funcionamento do organismo. A chave, segundo os especialistas, reside no equilíbrio e na diversificação das fontes proteicas, sem cair em extremos que possam comprometer a saúde.
