Aliados de Flávio Bolsonaro veem Lottenberg como escudo na campanha contra negacionismo
Aliados de Flávio Bolsonaro veem Lottenberg como escudo na campanha contra negacionismo

Aliados de Flávio Bolsonaro veem Lottenberg como escudo na campanha contra negacionismo

Estratégia eleitoral ou promessa de campanha? A escolha do médico Claudio Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) é vista por aliados do senador como uma jogada estratégica para blindar a campanha eleitoral contra as críticas à condução de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19. […]

Resumo

Estratégia eleitoral ou promessa de campanha?

A escolha do médico Claudio Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) é vista por aliados do senador como uma jogada estratégica para blindar a campanha eleitoral contra as críticas à condução de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19. A intenção seria evitar a especulação de que um nome com histórico de negacionismo seria escolhido, segundo conselheiros da campanha ouvidos pela reportagem.

No entanto, o próprio entorno de Flávio Bolsonaro admite que a nomeação de Lottenberg pode ter caráter temporário, focado apenas no período eleitoral. Não está descartada a possibilidade de uma indicação diferente caso o candidato do PL vença a disputa presidencial. Essa análise de que Lottenberg serviria como um escudo, mas não necessariamente ocuparia o cargo de forma definitiva, é compartilhada tanto por bolsonaristas quanto por membros do Centrão que apoiam Flávio, conforme relatos de seis ex-integrantes da cúpula da gestão de Jair Bolsonaro na Saúde.

As informações foram reunidas a partir de declarações e análises de aliados políticos e da imprensa.

Divisões internas e cobiça pela pasta

A nomeação de Lottenberg como potencial ministro da Saúde, anunciada em 28 de agosto durante sabatina do Jornal Nacional, já enfrenta resistência dentro da base mais radical do bolsonarismo. Críticos apontam que Lottenberg já teceu comentários desfavoráveis à gestão federal na pandemia, como quando classificou como “absurdo” a expansão do uso da cloroquina para casos leves de Covid-19. Comentários negativos sobre o médico, como o de Paulo Figueiredo em janeiro de 2026, que o chamou de “puxa-saco profissional”, ganharam força nas redes sociais após o anúncio de Flávio.

Um pacto teria sido firmado entre os interlocutores do senador para conter a crise interna e evitar ataques públicos a Lottenberg até o segundo turno das eleições. Contudo, um outro aliado pondera que o médico tem o desejo de assumir a pasta e que ainda é precipitado especular sobre mudanças na indicação. Além da ala conservadora, aliados de Flávio no Centrão demonstram ceticismo quanto à capacidade de Lottenberg gerir um ministério tão cobiçado politicamente. A comparação com o caso de Nelson Teich, que pediu demissão em menos de um mês no cargo durante a pandemia, é lembrada. Nomes como o do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ) já circulam como possíveis substitutos.

Um nome com trânsito político, mas sem engajamento eleitoral

O Ministério da Saúde movimenta um orçamento bilionário, com cerca de R$ 270 bilhões, sendo R$ 70 bilhões em verbas discricionárias, e representa um dos principais destinos das emendas parlamentares. A campanha de Flávio Bolsonaro destacou que Lottenberg garantiria o “padrão Einstein” no SUS, em referência à excelência do hospital onde o médico atuou. Contudo, a falta de engajamento de Lottenberg nas redes sociais em defesa de Flávio é vista como um ponto de fragilidade. Desde o anúncio, sua única publicação foi sobre o afastamento de cargos no Hospital Albert Einstein e na Conib (Confederação Israelita do Brasil), sem pedir votos explicitamente para o senador.

Lottenberg também se afastou da presidência do conselho da Biomm, farmacêutica envolvida em compras de insulinas pelo Ministério da Saúde. O médico possui um histórico de aproximação com diversos espectros políticos, tendo sido especulado como vice de Alexandre Padilha (PT) em 2014, secretariado a Saúde na gestão de José Serra (PSDB) em São Paulo, promovido encontros de Dilma Rousseff (PT) com a comunidade judaica e até mesmo cotado para candidaturas pelo Novo e como vice de Joice Hasselmann (PSL). Em 2020, criticou a cloroquina, mas em 2022 doou R$ 20 mil à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro.

Em resposta a especulações, Flávio Bolsonaro reafirmou em transmissão nas redes sociais que pretende fortalecer o SUS, trazendo o “padrão Einstein” para a gestão pública através de Lottenberg. A campanha de Flávio e o próprio Lottenberg não se manifestaram sobre as especulações de troca de indicação.

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