A tecnologia se integra ao cotidiano de pacientes com Alzheimer, oferecendo novas formas de interação e cuidado.
Em uma unidade especializada para pacientes com Alzheimer no sudoeste da França, uma paciente de 83 anos interage com uma inteligência artificial (IA) que simula a voz de seu neto. Essa ferramenta, chamada Livana, foi desenvolvida para personalizar a comunicação, utilizando memórias e informações fornecidas pela família e por psicólogos. A IA busca trazer conforto e reduzir a agitação, sendo uma alternativa não medicamentosa para o manejo de sintomas da doença, além de servir como companhia em momentos de escassez de pessoal.
A Livana é configurada para manter conversas naturais, adaptando-se ao estado emocional do paciente e estimulando sua memória com base em momentos felizes de sua vida. O objetivo é amenizar o isolamento e a ansiedade, comuns em estágios avançados da doença. No entanto, os idealizadores e profissionais de saúde ressaltam que a tecnologia é um complemento e não um substituto para o cuidado humano e a interação profissional.
As informações foram reunidas a partir de relatos de uma instituição na França e de pesquisas em andamento em Paris.
Robôs Humanoides e Animais Terapêuticos em Testes
Paralelamente, em Paris, pesquisadores do Broca Living Lab, ligado à Assistência Pública-Hospitais de Paris (AP-HP), exploram o uso de robôs humanoides e animais equipados com IA. O robô Miroki, com aparência de desenho animado, interage com pacientes idosos, propondo exercícios de estimulação cognitiva focados em memória, atenção e linguagem. Voluntários como Michèle, de 72 anos, demonstram receptividade, engajando-se em conversas e atividades propostas pelo robô.
Outros pacientes, como Ginette, de 99 anos, apresentaram reações mais reservadas a robôs com características humanoides, expressando desconforto com sua aparência. No entanto, Ginette encontrou conforto em Paro, um filhote de foca robótico com IA, projetado para responder ao toque e ao comportamento do usuário. Paro, assim como outros robôs em forma de animais no laboratório, tem como objetivo acalmar, estimular conversas e, em alguns casos, evocar lembranças.
O Papel Complementar da Tecnologia no Cuidado
Apesar do potencial da IA e da robótica no tratamento e acompanhamento de pacientes com Alzheimer e outras deficiências cognitivas, a equipe de pesquisa enfatiza a importância fundamental da interação humana. Psicólogos e terapeutas continuam a liderar as sessões, utilizando as ferramentas tecnológicas como um meio de aprimorar o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes. A tecnologia, portanto, surge como uma ferramenta de apoio valiosa, capaz de enriquecer o cuidado, mas sem jamais substituir o vínculo e a empatia proporcionados pelos profissionais de saúde e familiares.
