Jim Bakker, o influente televangelista americano conhecido por seu império midiático e posterior queda em desgraça devido a escândalos de fraude e sexo, faleceu nesta segunda-feira aos 86 anos. Sua trajetória, que o levou do pódio televisivo a uma cela de prisão na década de 1980, inspirou comparações com personagens bíblicos de moralidade questionável, como Elmer Gantry. A notícia de sua morte foi confirmada por sua segunda esposa, Lori Bakker, através das redes sociais, onde ela o descreveu como um “pioneiro da televisão cristã”. As circunstâncias e a causa exatas do falecimento não foram divulgadas.
Bakker alcançou o auge de sua fama nos anos 1980 como apresentador do popular programa “The PTL Club”, que significava “Praise The Lord” (Louvado seja o Senhor) e “People That Love” (Pessoas que amam). Naquela época, o ministério PTL, fundado por ele e sua primeira esposa, Tammy Faye Bakker, era uma operação multimilionária, com um parque temático e resort cristão chamado Heritage USA. No entanto, a expressão PTL também ganhou um apelido irônico entre críticos, que a interpretavam como “pass the loot” (passem a grana), em alusão aos constantes pedidos de doações aos telespectadores.
O colapso do império PTL
A carreira de Jim Bakker sofreu um golpe devastador em 1987, quando veio à tona um encontro sexual com Jessica Hahn, uma ex-secretária de igreja. O caso foi seguido pela revelação de que o ministério PTL havia pago US$ 265 mil à mulher em troca de seu silêncio. Bakker foi destituído de suas funções religiosas e, em 1989, foi condenado por fraude e conspiração em um esquema que envolvia a venda de promessas de férias vitalícias em seu resort, enganando milhares de seguidores. Os promotores o retrataram como um homem movido pela ganância, que desviou cerca de US$ 3,7 milhões para financiar um estilo de vida luxuoso, incluindo casas, carros caros e até uma casinha de cachorro climatizada. Ele foi sentenciado a 45 anos de prisão, embora tenha cumprido pouco mais de quatro anos.
Tammy Faye Bakker, conhecida por sua extravagância, seu canto entusiasmado e suas lágrimas que borravam sua maquiagem, permaneceu ao lado do marido durante o julgamento, mas o casal se divorciou em 1992, enquanto ele estava na prisão. Ela faleceu de câncer em 2007. O principal assessor de Bakker, Richard Dortch, também foi condenado e cumpriu parte de sua pena.
Um retorno e novas controvérsias
Após sua libertação da prisão em 1994, Jim Bakker renunciou ao “evangelho da prosperidade” que antes pregava e publicou um livro intitulado “I Was Wrong” (Eu estava errado). Ele se casou com Lori Wilson em 1998 e, em 2003, retomou sua carreira de pregador televisivo com um novo programa, “The Jim Bakker Show”, em um empreendimento que lembrava o Heritage USA. Mais recentemente, Bakker voltou a gerar polêmica, especialmente durante a pandemia de COVID-19 em 2020, quando vendeu um suposto tratamento para a doença que foi considerado falso por autoridades estaduais e federais. Em 2017, ele também afirmou que os cristãos iniciariam uma guerra civil caso o então presidente Donald Trump sofresse impeachment, demonstrando seu alinhamento político.
Nascido em Michigan em 1940, Jim Bakker cresceu em um lar cristão fundamentalista. Ele conheceu Tammy Faye LaValley em um seminário e juntos abandonaram os estudos para se tornarem evangelistas itinerantes. Sua ascensão meteórica na televisão cristã se deu a partir dos anos 1970, aproveitando o crescimento da TV a cabo e por satélite para construir um império midiático que, em seu auge, atraía milhões de espectadores e arrecadava mais de US$ 100 milhões anualmente.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.