Candidatos da Federação União Progressista em São Paulo articulam para que os partidos apoiem Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial. A intenção é estender para o plano nacional a estratégia adotada no estado, onde as duas legendas se uniram em torno da candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e declararam apoio ao candidato do PL.
A mobilização é liderada por figuras bolsonaristas declaradas dentro da federação. O candidato a deputado federal Silvio Navarro (União-SP) afirmou que em São Paulo o apoio a Flávio Bolsonaro é uma convicção desde o início da campanha, destacando a presença do candidato em convenções partidárias. Da mesma forma, o General Peternelli (União-SP), também candidato a deputado federal, declarou apoio a Tarcísio de Freitas e a Flávio Bolsonaro, e sinalizou que pressionará o União Brasil para apoiar abertamente o candidato do PL no segundo turno.
A convenção estadual da federação em São Paulo contou com a presença de Flávio Bolsonaro, que foi ovacionado ao lado de Tarcísio de Freitas e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado. Essa articulação paulista ocorre em um momento em que o União Brasil e o PP, que compõem a federação, mantêm neutralidade na disputa presidencial no primeiro turno.
Pressão paulista enfrenta interesses regionais do Centrão
Apesar da neutralidade oficial no primeiro turno, a federação União Progressista e o PL compõem coligações em candidaturas a governos estaduais em dez estados. Há também casos como o do Paraná, onde, mesmo sem coligação, candidatos do União Brasil já declararam voto em Flávio Bolsonaro. Notícias recentes indicam que o União Brasil já teria decidido apoiar o candidato do PL no segundo turno, embora o partido não confirme oficialmente. Uma reunião da federação para firmar acordo em torno do segundo turno estaria agendada para o dia 6 de outubro.
Alexandre Bandeira, analista político e coordenador da ESPM, avalia que o movimento em São Paulo tem um peso considerável, dado o tamanho do eleitorado do estado e sua influência na articulação política nacional. A região Sudeste, que inclui São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, concentra cerca de 40% dos eleitores brasileiros, o que confere grande poder de barganha à região.
Bandeira sugere que, dependendo do resultado do primeiro turno, as siglas que compõem o Centrão poderão recalcular suas alianças, considerando não apenas afinidades políticas, mas também a capacidade de atrair apoios e chegar competitivo à segunda etapa da eleição. O analista não descarta a possibilidade de outros partidos do Centrão se aproximarem da campanha de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.
Decisão nacional pode enfrentar divisões internas
Elias Tavares, cientista político, corrobora a relevância de São Paulo na discussão, destacando a influência de Tarcísio de Freitas como uma liderança nacional no campo da direita. No entanto, Tavares pondera que a posição de São Paulo não se converterá automaticamente em uma decisão nacional. União Brasil e Progressistas precisarão considerar os interesses de seus diretórios e parlamentares em outras regiões, especialmente no Nordeste, onde as relações políticas podem ser distintas e haver interlocução com o governo Lula.
Para Tavares, a federação terá que ponderar os interesses de diversas regiões e bancadas eleitas para a Câmara e o Senado, o que pode gerar uma disputa interna relevante sobre o posicionamento no segundo turno. A neutralidade, segundo o cientista político, continua sendo uma alternativa viável, pois permite a preservação de margens de negociação após a eleição para partidos com forte presença no Congresso e diálogo com diferentes governos.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Valor Econômico, Revista Oeste e Gazeta do Povo.
