Proteção contra a osteoporose em foco
A terapia hormonal (TH) pode desempenhar um papel crucial na preservação da saúde óssea feminina durante e após a menopausa, conforme sugere uma pesquisa apresentada no congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos. O estudo indicou que mulheres em tratamento hormonal apresentaram uma chance 69% menor de desenvolver baixa densidade mineral óssea em comparação com aquelas que não utilizaram hormônios.
A pesquisa analisou 387 mulheres no período pós-menopausa, submetidas a exames de densitometria óssea entre 2021 e 2025. Os resultados revelaram que apenas 31,8% das usuárias de TH apresentaram baixa densidade mineral óssea, contra 56,2% entre as não usuárias. Mesmo após considerar fatores como idade, tempo de menopausa, níveis de vitamina D, tabagismo e outras condições clínicas, as mulheres em terapia hormonal demonstraram melhores índices de densidade óssea na coluna lombar e no quadril.
Essas informações foram reunidas a partir de dados divulgados durante o congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos.
A ação do estrogênio na saúde óssea
A ligação entre a terapia hormonal e a saúde óssea está diretamente relacionada ao estrogênio, o principal hormônio feminino. “Ele ajuda a manter o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do osso. Quando sua produção cai na menopausa, aumenta a atividade das células responsáveis pela reabsorção óssea, acelerando a perda de massa óssea”, explica a ginecologista Helena Hachul, do Einstein Hospital Israelita.
A queda na produção de estrogênio ocorre principalmente durante a transição para a menopausa e nos primeiros cinco anos após a última menstruação. Este período é considerado uma “janela” importante para a prevenção da osteoporose e suas complicações. Contudo, a especialista ressalta que outros fatores, como idade, qualidade do tecido ósseo, doenças associadas, perda de massa muscular e uso de certos medicamentos, também influenciam o risco de problemas ósseos.
Individualização do tratamento é fundamental
Apesar da associação positiva observada no estudo, os próprios autores alertam que não é possível afirmar que a terapia hormonal seja o único fator responsável pelos resultados. Existe o que chamam de “viés de seleção”: mulheres que optam pela TH podem, por exemplo, ter um acompanhamento médico mais rigoroso, maior adesão a hábitos saudáveis como atividade física e dieta equilibrada, além de menor prevalência de comorbidades. Mesmo com ajustes estatísticos, fatores de confusão podem persistir.
A reposição hormonal não é indicada indiscriminadamente. Geralmente, a relação benefício-risco é mais favorável em mulheres com menos de 60 anos ou até dez anos após a menopausa, especialmente se apresentarem sintomas como ondas de calor, alterações do sono ou síndrome geniturinária. Por outro lado, existem contraindicações importantes, como histórico de câncer de mama, trombose, AVC, doença hepática ativa ou alto risco cardiovascular. A decisão pelo tratamento deve ser sempre individualizada e baseada em uma avaliação médica criteriosa.
Hábitos saudáveis e alternativas terapêuticas
Independentemente do uso de hormônios, a manutenção da saúde óssea ao longo do envelhecimento depende de hábitos de vida saudáveis. A prática regular de exercícios, com ênfase em musculação e atividades com carga, uma dieta rica em cálcio e proteínas, níveis adequados de vitamina D e a prevenção de quedas são estratégias essenciais para reduzir o risco de osteoporose e fraturas.
Para mulheres que não podem ou não desejam realizar a terapia hormonal, existem medicamentos específicos disponíveis para a prevenção e o tratamento da osteoporose. A escolha terapêutica mais adequada dependerá da avaliação individual de cada paciente, considerando sua idade, densidade óssea e risco de fraturas.
