Candidatos buscam STF para reverter decisões da Justiça Eleitoral na reta final da campanha
Candidatos buscam STF para reverter decisões da Justiça Eleitoral na reta final da campanha

Candidatos buscam STF para reverter decisões da Justiça Eleitoral na reta final da campanha

Campanhas eleitorais recorrem ao STF em busca de reverter decisões da Justiça Eleitoral Na iminência do primeiro turno das eleições, candidatos de diversas regiões do país têm buscado o Supremo Tribunal Federal (STF) para anular determinações da Justiça Eleitoral. As ações visam derrubar restrições a propagandas, remoção de conteúdos e concessões de direito de resposta […]

Resumo

Campanhas eleitorais recorrem ao STF em busca de reverter decisões da Justiça Eleitoral

Na iminência do primeiro turno das eleições, candidatos de diversas regiões do país têm buscado o Supremo Tribunal Federal (STF) para anular determinações da Justiça Eleitoral. As ações visam derrubar restrições a propagandas, remoção de conteúdos e concessões de direito de resposta a adversários. Muitos desses pedidos utilizam como base a Reclamação 94.666/PR, relatada pelo ministro Gilmar Mendes, que também foi fundamental para a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) em um debate da TV Globo, posteriormente cancelado.

As campanhas argumentam que as decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) violam a liberdade de expressão e contrariam entendimentos prévios do próprio STF. Um dos casos que já obteve decisão favorável foi o do candidato ao governo de Alagoas, Renan Filho (MDB). Gilmar Mendes acolheu parcialmente um pedido de extensão da reclamação, cassando um acórdão do TRE-AL que restringia uma propaganda sobre investigações envolvendo o Iprev-Maceió e investimentos no Banco Master, permitindo a reexibição da peça publicitária. O ministro considerou que a propaganda se baseou em documentos públicos e configurou livre manifestação política.

A mesma reclamação serviu de amparo para a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ela contestou decisões do TRE-PR relacionadas a publicações sobre a inelegibilidade de seu adversário, Deltan Dallagnol (Novo-PR). No entanto, o pedido foi julgado prejudicado após o próprio tribunal regional reformar as decisões contestadas.

Com a proximidade da votação em 4 de outubro, a quantidade de pedidos urgentes protocolados no STF aumentou. O candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), recorreu a Gilmar Mendes contra decisões do TRE-BA que o obrigaram a veicular direitos de resposta em favor do candidato Jerônimo Rodrigues (PT). ACM Neto solicitou uma liminar para anular as decisões e suspender multas diárias, alegando que suas manifestações eram defensivas e avaliações políticas legítimas. O pedido ainda não foi analisado pelo ministro.

Outro caso é o do candidato ao governo do Paraná, Sandro Alex (PSD), que pediu urgência contra duas decisões monocráticas do presidente do TRE-PR. As decisões concederam direito de resposta na TV e no Instagram ao candidato Sergio Moro (PL). Sandro Alex argumentou que as decisões individuais contrariaram o julgamento do Plenário do TRE-PR, que havia julgado o pedido de Moro improcedente.

Na última sexta-feira (2), o presidente do STF, Edson Fachin, implementou um novo filtro para evitar que requerentes direcionem pedidos a ministros específicos. Petições agora passam por análise técnica e da Presidência do STF, e se não houver relação direta com processos em andamento, serão registradas como novos casos e distribuídas por sorteio.

O caso original que deu origem à reclamação

A reclamação que serviu de base para essas ações foi protocolada pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) contra Deltan Dallagnol. O embate teve início após Zeca Dirceu afirmar que Deltan “segue inelegível”. O Partido Novo no Paraná ajuizou uma Representação Eleitoral no TRE-PR, acusando o deputado de desinformação e propaganda eleitoral negativa antecipada. A Justiça Eleitoral paranaense determinou a remoção das publicações e aplicou multa de R$ 15 mil, alegando que o deputado induziu o eleitorado a erro.

Zeca Dirceu, por sua vez, acionou o STF, argumentando que a decisão do TRE-PR violou sua imunidade parlamentar e a jurisprudência da Corte. Em maio, o ministro Gilmar Mendes julgou procedente a reclamação e cassou a decisão do TRE-PR, liberando o conteúdo das postagens. Mendes defendeu que as declarações de Zeca Dirceu configuraram “interpretação legítima acerca de fatos notórios atestados em documentos públicos”.

O Partido Novo apresentou um agravo regimental para reverter a decisão de Gilmar Mendes, sustentando que a reclamação no STF não deveria ter sido conhecida, pois a decisão do TRE-PR já havia transitado em julgado. A legenda também apontou animosidade pública entre o relator e Deltan Dallagnol, citando declarações de Mendes contra a força-tarefa da Lava Jato.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e veículos de imprensa.

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