A disputa pelo governo do Rio de Janeiro pode ter um desfecho inesperado, com a possibilidade de um candidato em terceiro lugar nas pesquisas, Anthony Garotinho (Republicanos), influenciar diretamente o resultado final. Garotinho foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, mas recorreu da decisão. Caso a inelegibilidade seja mantida, seus votos podem ser anulados, o que facilitaria a vitória de Eduardo Paes (PSD) em primeiro turno.
As pesquisas de intenção de voto mais recentes, como Datafolha, Atlas e Quaest, indicam Eduardo Paes na liderança, seguido por Douglas Ruas (PL). A situação de Garotinho é um ponto de atenção, pois, mesmo inelegível, ele continua sua campanha. Se a Justiça Eleitoral confirmar a decisão e ele obtiver votos, estes serão considerados nulos e desconsiderados na contagem final. Isso reduziria o universo de votos válidos, aproximando o candidato mais votado da marca necessária para a vitória imediata.
A pendência judicial de Garotinho remonta a acusações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) referentes a um suposto esquema de desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006, quando ele era secretário de Governo. A acusação alega que Garotinho teria intervindo para o rompimento de um contrato de gestão de um projeto, resultando na contratação de outra empresa sem licitação.
Em 2018, o Tribunal de Justiça do Rio considerou Garotinho culpado por improbidade administrativa e cassou seus direitos políticos por oito anos. Apesar de ter recorrido e perdido em todas as instâncias, a defesa de Garotinho argumenta que o prazo de inelegibilidade se encerrou em agosto de 2026, com base na data de trânsito em julgado em 2018 e na intempestividade de recursos posteriores. Contudo, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu, em setembro, que o prazo começou a contar a partir de sua decisão, tornando-o inelegível.
Impacto nas pesquisas e no resultado
Apesar da decisão do TRE-RJ, Garotinho recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo julgamento ainda não tem data marcada. Seus correligionários apostam na reforma da decisão pelo TSE. No entanto, a incerteza jurídica paira sobre a campanha.
Pesquisas recentes ilustram o cenário. Segundo o Datafolha de 11 de setembro, Paes liderava com 43% das intenções de voto, Ruas com 25% e Garotinho com 10%. Seus votos válidos eram 49%, 28% e 11%, respectivamente. Uma análise da Atlas e Quaest, ambas de 23 de setembro, apresentou cenários com e sem Garotinho, mostrando que sua ausência nos votos válidos tende a fortalecer a posição de Paes para uma vitória em primeiro turno.
A vantagem de Eduardo Paes, que chegou a ser de mais de 30 pontos no início da campanha, tem diminuído, acirrando a disputa. A possível anulação dos votos de Anthony Garotinho, caso sua inelegibilidade seja confirmada, surge como um fator determinante para a consolidação de uma vitória em primeiro turno para o candidato apoiado pelo presidente Lula.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por Datafolha, Atlas e Quaest.
