Gilmar Mendes propõe levar disputa bilionária com usinas ao plenário do STF após caso Vorcaro
Gilmar Mendes propõe levar disputa bilionária com usinas ao plenário do STF após caso Vorcaro

Gilmar Mendes propõe levar disputa bilionária com usinas ao plenário do STF após caso Vorcaro

Gilmar Mendes aciona Segunda Turma para debater dívida bilionária da União com usinas O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem à Segunda Turma da Corte que pode direcionar ao plenário a decisão sobre uma disputa bilionária entre a União e o setor sucroalcooleiro. A proposta visa uniformizar o […]

Resumo

Gilmar Mendes aciona Segunda Turma para debater dívida bilionária da União com usinas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem à Segunda Turma da Corte que pode direcionar ao plenário a decisão sobre uma disputa bilionária entre a União e o setor sucroalcooleiro. A proposta visa uniformizar o entendimento do STF sobre a necessidade de perícia técnica individualizada para a comprovação de prejuízos econômicos, conforme estabelecido no Tema 826 da repercussão geral.

A análise da questão de ordem pela Segunda Turma ocorrerá em sessão virtual entre os dias 25 de setembro e 2 de outubro. A iniciativa de Gilmar Mendes surge em um contexto de acirramento dos debates sobre o tema, especialmente após o ministro ter se posicionado publicamente contra o pagamento de indenizações a usinas de açúcar e álcool, em divergência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo STF e reportagens jornalísticas.

O contexto do caso e a atuação de Gilmar Mendes

A polêmica ganhou destaque após Gilmar Mendes confirmar ter recebido Daniel Vorcaro em seu gabinete no STF para discutir um processo específico da Destilaria Alcídia, referente à compra de precatórios pela instituição financeira. Este caso, relatado pelo ministro Edson Fachin, foi decidido pela Segunda Turma em junho de 2025, com a maioria votando a favor do pagamento de indenização à usina, vencendo a posição de Gilmar Mendes e André Mendonça.

Em pronunciamento na rede social X, Gilmar Mendes detalhou sua posição em diversos casos. Ele mencionou ter votado contra pagamentos em processos envolvendo a Destilaria Alcídia, a Raízen (onde atuou como relator e o pagamento foi barrado) e a Jalles Machado, sendo vencido em todas as ocasiões. O ministro também citou um voto contrário à liberação de um precatório de mais de R$ 5 bilhões pleiteado pelo setor.

A manifestação de Mendes ocorre em um momento em que o Banco Master passa por liquidação, o que impede Daniel Vorcaro de lucrar com eventuais pagamentos de precatórios, que agora estão sob controle do liquidante nomeado pelo Banco Central.

A disputa entre Raízen e a União e o Tema 826

No caso da Raízen, a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu à Segunda Turma defendendo a aplicação do Tema 826, que exige perícia técnica para comprovar o prejuízo individual de cada usina. A AGU argumentou que o valor do débito não poderia ser apurado por meio de simples comparações com tabelas genéricas de custo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Inicialmente, Gilmar Mendes, relator do caso, votou contra o agravo da AGU. No entanto, após manifestação divergente de André Mendonça, o ministro reavaliou seu voto e deu provimento ao recurso, sendo acompanhado por Mendonça e Dias Toffoli. Em contrapartida, Edson Fachin e Nunes Marques consideraram que a tese fixada no Tema 826 não se aplicaria a casos com liquidez e critérios de apuração de débito já definidos em sentenças transitadas em julgado, argumentando que rediscutir a coisa julgada e a liquidação do título envolveria análise de legislação infraconstitucional e reexame de provas.

Posição de Gilmar Mendes sobre o passivo bilionário

Em sua manifestação completa, publicada em 18 de agosto, Gilmar Mendes reiterou sua visão de que é “absurda” a ideia de o contribuinte arcar com bilhões em indenizações a usinas por preços fixados pelo governo nas décadas de 1980 e 1990. Ele estima que o valor total dessas ações, que somam a maior causa não tributária enfrentada pela AGU, pode chegar a R$ 145 bilhões.

O ministro enfatizou que sua posição contra esses pagamentos é antiga, remontando à sua atuação à frente da AGU entre 2000 e 2002, e que considera esses créditos indevidos, especialmente quando comprados por uma fração do valor cobrado e agora em posse de instituições financeiras. Ele reforçou que continuará defendendo a tese de que, sem prova pericial concreta do prejuízo sofrido pela usina, os créditos são indevidos, alinhando-se ao precedente vinculante do STF.

Gilmar Mendes também mencionou uma mensagem atribuída a Daniel Vorcaro, enviada em março de 2024, onde o ex-banqueiro expressaria preocupação com a posição do ministro em um caso que afetaria seus precatórios. A declaração do ministro busca, com a questão de ordem, evitar decisões díspares e unificar o entendimento da Corte sobre a matéria.

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