Hospitais cedem a pressões legais e financeiras, encerrando serviços essenciais para jovens transgênero.
Ao menos seis grandes hospitais nos Estados Unidos concordaram em descontinuar o oferecimento de tratamentos de transição de gênero para adolescentes. A decisão surge como resultado de uma ampla investigação conduzida pelo Departamento de Justiça, que apurava possíveis violações legais relacionadas a práticas de faturamento e acusações de fraude contra consumidores. Os acordos, que envolvem instituições de saúde em Nova York, Pensilvânia e Connecticut, incluem o pagamento de multas e, em alguns casos, a oferta de atendimento médico gratuito para ex-pacientes que buscam tratar efeitos colaterais ou reverter procedimentos.
A série de acordos representa um avanço significativo para a administração do ex-presidente Donald Trump, que tem sustentado a tese de que os potenciais danos da transição de gênero em jovens superam os benefícios. A narrativa oficial argumenta que os hospitais teriam cobrado valores excessivos por esses tratamentos com o intuito de obter lucro. Desde o início de 2025, o governo tem intensificado pressões financeiras e jurídicas sobre prestadores de serviços de saúde, visando a interrupção desses tratamentos nos 24 estados onde eles são permitidos.
Especialistas jurídicos e defensores dos direitos transgênero apontam que os novos acordos conferem um caráter definitivo ao encerramento desses serviços, uma vez que muitos hospitais já haviam suspendido os tratamentos sob a pressão governamental. O procurador-geral Todd Blanche afirmou em comunicado que os acordos demonstram que “hospitais que submetem crianças a essas práticas e depois obtêm fraudulentamente o pagamento pelos procedimentos serão responsabilizados”. Ele indicou que o Departamento de Justiça continua em busca de acordos com outras instituições.
Instituições envolvidas e justificativas para os acordos
Entre os hospitais que fecharam acordos estão o Texas Children’s Hospital, a Cleveland Clinic, o Connecticut Children’s Medical Center, o Mount Sinai Health System, o New York University Langone Hospital e o UPMC Children’s Hospital of Pittsburgh. Representantes de algumas dessas instituições declararam que os acordos foram firmados para evitar prolongadas disputas judiciais com o governo federal e para não serem obrigados a divulgar dados pessoais de pacientes, conforme solicitado pelo governo.
Críticas e controvérsias em torno das investigações
A atuação do Departamento de Justiça tem sido alvo de críticas por parte de alguns especialistas. Argumenta-se que o órgão teria agido de má-fé, levantando questões financeiras com o objetivo de intimidar hospitais e forçá-los a encerrar serviços que são legalmente permitidos em seus respectivos estados, alinhando-se assim aos objetivos políticos do governo Trump. Outros críticos dirigiram suas críticas aos próprios hospitais, comparando sua postura à de escritórios de advocacia e universidades que teriam cedido às exigências governamentais em detrimento do bem-estar dos pacientes.
As informações foram reunidas a partir de reportagens divulgadas pela Reuters e outros veículos de comunicação.
