Secretaria da Saúde de São Paulo implementa plano de contingência contra El Niño
A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo anunciou o lançamento do Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño. A iniciativa, que entra em vigor nesta segunda-feira (31), visa fornecer diretrizes aos 645 municípios do estado para mitigar os efeitos do fenômeno climático na saúde pública. A expectativa é que o El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, intensifique a ocorrência de arboviroses como dengue, chikungunya e febre amarela, além de doenças diarreicas, leptospirose e hepatite A. O plano foi elaborado com base na identificação das principais ameaças, prioridades e na dimensão dos impactos esperados, conforme levantado pelos departamentos regionais de saúde.
Segundo Regiane de Paula, coordenadora de Controle de Doenças da secretaria, as alterações climáticas decorrentes do El Niño tendem a afetar de forma mais severa crianças e idosos. “Não podemos descartar ninguém. Quando olhamos para a população, os mais afetados costumam ser sempre as crianças e os idosos”, afirmou. Além do aumento de casos de doenças infecciosas, o fenômeno climático também pode agravar condições crônicas, como doenças cardiovasculares, renais e respiratórias, além de elevar o risco de desidratação e exaustão térmica, especialmente durante ondas de calor. O plano prevê o mapeamento de redes essenciais de saúde, a definição de rotas alternativas de atendimento em caso de falhas no sistema, e o monitoramento da assistência farmacêutica para evitar a falta de medicamentos essenciais.
Riscos ampliados e medidas preventivas
O El Niño, classificado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos como forte e com potencial de evoluir para um “super El Niño” a partir de setembro, eleva a preocupação com a saúde pública. Chuvas extremas e inundações favorecem a proliferação de doenças transmitidas pela água contaminada, como gastroenterites, leptospirose e hepatite A. O fenômeno também pode levar animais peçonhentos a invadir áreas urbanas. A combinação de calor e umidade é particularmente propícia para o aumento de arboviroses. Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou 6.321 mortes por dengue em 2024, o ano mais crítico da doença desde 2000, com 79,7% dos óbitos concentrados nas regiões Sul e Sudeste.
Diante desse cenário, o plano estadual também contempla a criação de instituições de saúde mental para atender tanto a população afetada por desastres climáticos quanto os profissionais de saúde da linha de frente. A continuidade de tratamentos regulares para pacientes em terapia renal substitutiva, oncologia e oxigenoterapia domiciliar também é uma prioridade. A secretaria reforça a importância da vacinação em dia como principal ferramenta de proteção individual e coletiva, especialmente em períodos de maior circulação de vírus. A expectativa é que o aumento de casos de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, comece a ser observado já em setembro e outubro.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos.
