Aporte governamental visa auxiliar reestruturação dos Correios
O governo federal pretende destinar R$ 6 bilhões aos Correios através da Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A informação foi confirmada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, que indicou o encaminhamento da proposta ao Congresso Nacional na próxima segunda-feira (31). O aporte surge em um momento de dificuldades financeiras para a empresa, que tem enfrentado prejuízos consecutivos nos últimos três anos, acompanhados por queda nas receitas e aumento de despesas.
A situação financeira dos Correios se agrava, com a estatal registrando um prejuízo de R$ 3,16 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, quase o dobro do apurado no mesmo período do ano anterior. Caso o ritmo de perdas se mantenha, a empresa poderá superar o prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões registrado em 2025. Diante deste cenário, o governo estuda a injeção de novos recursos para dar continuidade ao processo de reestruturação.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.
Contexto do empréstimo e plano de reestruturação
A previsão do novo repasse governamental está diretamente ligada a um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pela estatal no ano passado com cinco grandes bancos do país. O objetivo desta operação foi reforçar o caixa da empresa, que conta com a garantia da União até 2040, o que significa que o governo federal se responsabiliza pelo pagamento das parcelas caso os Correios não consigam honrar o compromisso. A operação, autorizada pelo Tesouro Nacional, integra o plano de reestruturação da estatal.
Além do aporte previsto para 2027, o plano de recuperação dos Correios inclui diversas medidas. Entre elas, destacam-se o corte de custos, programas de demissão voluntária (PDVs), a venda de imóveis ociosos, a renegociação de contratos e a redução da jornada de trabalho. Mudanças nos planos de saúde, o retorno ao trabalho presencial e o lançamento de um marketplace próprio também fazem parte das estratégias para reverter o quadro financeiro da empresa.
Com a inclusão dos R$ 6 bilhões na PLOA de 2027, o governo sinaliza a continuidade do apoio financeiro aos Correios, essencial para a viabilização de seu plano de reestruturação em meio à deterioração de suas finanças.
