A corrida presidencial no Peru continua marcada pelo equilíbrio entre os candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. Após uma contagem de votos repleta de reviravoltas, a diferença entre os dois permanece mínima, enquanto as autoridades eleitorais concluem a apuração.
Os primeiros resultados divulgados na noite de domingo apontavam vantagem para Keiko Fujimori, que chegou a abrir cerca de cinco pontos percentuais sobre o adversário. No entanto, conforme mais urnas foram contabilizadas, a distância começou a diminuir gradualmente.
Na tarde de segunda-feira, Sánchez assumiu a liderança pela primeira vez. Dias depois, uma nova virada colocou Keiko novamente à frente, mantendo a disputa em aberto até os momentos finais da contagem.
Apuração segue apertada
Com mais de 98% das urnas apuradas, os números oficiais mostram um cenário de empate técnico. Considerando apenas os votos válidos contabilizados no país, Roberto Sánchez aparece com uma ligeira vantagem sobre Keiko Fujimori.
Já quando são incluídos os votos dos peruanos residentes no exterior, a diferença entre os candidatos se torna ainda menor, deixando o resultado final indefinido.
Entre os eleitores que votaram fora do Peru, Keiko registra ampla vantagem. Por outro lado, Sánchez mantém desempenho mais forte em diversas regiões do interior do país.
As autoridades eleitorais informaram que ainda existem votos pendentes de análise e que a confirmação oficial do resultado poderá levar vários dias. Parte das cédulas também deverá passar por revisão da Justiça Eleitoral.
Quem são os candidatos
Keiko Fujimori representa o partido Força Popular e disputa a Presidência pela quarta vez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela já chegou ao segundo turno em eleições anteriores, mas acabou derrotada em todas as ocasiões.
No primeiro turno de 2026, Keiko recebeu pouco mais de 17% dos votos válidos.
Já Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, avançou ao segundo turno após conquistar cerca de 12% dos votos na etapa inicial da disputa. Sua principal base eleitoral está concentrada em áreas rurais e regiões afastadas dos grandes centros urbanos.
Cenário político de instabilidade
A eleição ocorre em um contexto de forte instabilidade política. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes diferentes, apesar de o mandato presidencial ter duração prevista de cinco anos.
O primeiro turno também ficou marcado por um número recorde de candidatos, com 35 concorrentes na disputa pela Presidência.
Pesquisas recentes indicam elevados níveis de insatisfação da população com as instituições políticas do país. A confiança no governo e no Congresso permanece baixa, enquanto a avaliação da democracia peruana segue entre as mais críticas da região.
Diante desse cenário, o resultado final da eleição é visto como um momento decisivo para o futuro político do Peru.