Decisões judiciais e investigações agitam o cenário eleitoral a poucos dias do segundo turno.
A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, o cenário político brasileiro tem sido agitado por uma série de ações judiciais e decisões que impactam diretamente a campanha dos candidatos. Uma petição conjunta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a abertura de sigilos de pessoas e empresas ligadas aos candidatos gerou uma reviravolta. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) interveio, determinando que a questão não cabia ao TSE e liberando a divulgação das informações.
A campanha de 2026, segundo o escritor Francisco Escorsim, já pode ser considerada a “pior campanha eleitoral” da história, marcada pela falta de debate de propostas e pela segmentação do eleitorado em “bolhas” informacionais, impulsionadas pelo uso de algoritmos. Essa polarização e a dificuldade de diálogo entre diferentes espectros políticos parecem ter se acentuado na reta final.
Paralelamente, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou um prazo de 24 horas para que a empresa Meta realizasse uma verificação no canal “Exército de Lula”, comandado pelo deputado André Janones (Rede). Contudo, para Escorsim, essa medida chega tardia e se configura como um “teatro”, uma vez que a mobilização promovida pelo canal teria ocorrido dentro de sua própria “bolha”. As informações foram reunidas a partir de discussões no programa Última Análise.
Inquérito contra Flávio Bolsonaro e críticas ao STF
Em meio ao que alguns analistas definem como um “vale-tudo” na reta final, o ministro do STF Alexandre de Moraes adicionou mais um elemento de tensão ao autorizar a continuidade de um inquérito que investiga suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. A advogada Fabiana Barroso criticou a ação, classificando-a como uma tentativa de “abafar o caso da lobista Roberta Luchsinger” e de “falsa equivalência” entre as situações de Lula e Flávio Bolsonaro, apontando a atuação do STF em diversas questões.
O jurista Enio Viterbo destacou a coincidência do inquérito contra Flávio Bolsonaro surgir justamente no período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, enfrenta forte oposição no STF. Viterbo sugere que a investigação pode ser utilizada como “moeda de troca” ou “forma de pressão” contra o candidato. O programa Última Análise, da Gazeta do Povo, tem aprofundado discussões sobre esses e outros temas relevantes para o país.
