Brasil apresenta disparidades significativas na segurança pública, mas exemplos de sucesso inspiram
O Brasil, um país de dimensões continentais, exibe um cenário complexo e desigual quando o assunto é segurança pública. Enquanto algumas regiões enfrentam índices alarmantes de violência, outros estados e municípios demonstram que é possível reverter esse quadro com políticas eficazes e integradas. Santa Catarina se destaca nesse panorama, apresentando uma taxa de resolução de crimes de homicídio de 77,17% nos últimos cinco anos, um índice que se equipara ao de países de primeiro mundo. Para se ter uma ideia da diferença, a média nacional para o mesmo período foi de apenas 39% em 2022, segundo dados do Instituto Sou da Paz.
Essas informações foram compiladas a partir de reportagens sobre segurança pública em diferentes estados brasileiros, com destaque para dados do Atlas da Violência 2025 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública), Instituto Sou da Paz, e balanços da Secretaria de Segurança Pública de Goiás e do Piauí.
Modelos de sucesso em diferentes regiões
A cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, um estado frequentemente associado à alta criminalidade, surpreende ao registrar zero roubos de veículos, de carga, no transporte público ou latrocínios neste ano. O sucesso local é atribuído à integração entre a Secretaria Municipal de Ordem Pública e as demais forças de segurança, além de investimentos em tecnologia, como câmeras de monitoramento com reconhecimento facial. Iniciativas como grupos de WhatsApp para denúncias e patrulhas específicas para proteção de idosos e mulheres também contribuíram para a queda de diversos tipos de roubos e furtos na cidade.
No âmbito estadual, além de Santa Catarina, Goiás também apresenta resultados positivos. O estado registra uma média de 11,27 homicídios por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, e uma impressionante taxa de resolução de crimes de 92%. A redução de roubos de veículos, comércios e residências tem sido consistente, embora desafios como a violência doméstica ainda persistam. A combinação de urbanização, crescimento econômico e políticas de segurança tem sido a chave para o estado.
O Piauí surge como outro exemplo notável, especialmente no combate a furtos e roubos de celulares. O estado viu a taxa de ocorrências cair drasticamente, com uma redução de 51% entre 2022 e 2025. Investimentos em tecnologia, como sistemas de rastreamento e recuperação de aparelhos, aliados à integração das forças de segurança, permitiram a recuperação de mais de 13 mil celulares desde 2023, tornando o Piauí referência nacional nesse quesito.
Segurança pública como fator decisivo na política
Especialistas apontam que o bom desempenho na segurança pública tem se tornado um fator cada vez mais relevante na avaliação dos governos pelos eleitores. Fernando Capano, professor de Direito Penal e especialista em Segurança Pública, destaca que a percepção de segurança no cotidiano da população é um termômetro poderoso. Estados como Goiás e Santa Catarina são frequentemente citados por terem conseguido aliar desenvolvimento econômico e social à redução da violência.
Capano ressalta que a integração entre inteligência policial, repressão qualificada e ocupação territorial, como em Goiás, e um modelo que alia bons indicadores sociais, tecnologia e policiamento ostensivo, como em Santa Catarina, são estratégias replicáveis. O caso do Piauí, com sua ofensiva contra roubos de celular, demonstra que políticas inovadoras podem surgir mesmo fora do eixo central do debate nacional e gerar forte impacto simbólico.
As diretrizes que podem ser replicadas incluem a integração real entre inteligência, investigação e policiamento ostensivo, a continuidade administrativa das políticas públicas e o investimento em tecnologia e análise de dados para uma atuação preventiva. A gestão eficiente e a coordenação institucional, mais do que discursos radicais, parecem ser os pilares para a construção de um ambiente mais seguro.
