A Praia Brava, localizada no litoral norte de Santa Catarina, entre Itajaí e Balneário Camboriú, consolidou-se como um polo de lançamentos imobiliários de altíssimo padrão, com o metro quadrado ultrapassando a marca de R$ 30 mil. Essa valorização expressiva posiciona a região na disputa pelo mercado de luxo catarinense, impulsionada pela limitada oferta de terrenos próximos ao mar, restrições ambientais e um plano diretor que dita regras de ocupação específicas.
O recente empreendimento Torre Sirena, entregue pela Lotisa em julho, exemplifica o dinamismo desse mercado. Com 232 apartamentos e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 450 milhões, o projeto foi comercializado em 97% de suas unidades. Lançados em 2020 a partir de R$ 550 mil, os imóveis atingiram valores superiores a R$ 2 milhões na entrega, registrando uma valorização estimada em mais de 260% no período. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Lotisa e consultorias imobiliárias.
Concentração de Preços Elevados na Orla
Gustavo Dal Piva, gestor do time Imobille Brava, explica que os preços mais elevados se concentram em imóveis de frente-mar e quadra-mar, especialmente nas avenidas Delfim de Pádua Peixoto e José Medeiros Vieira, e nas ruas perpendiculares à praia. “A escassez de terrenos somada a um Plano Diretor que limita a altura dos empreendimentos conforme se aproximam do mar, faz com que a região concentre lançamentos que já ultrapassam R$ 30 mil por metro quadrado”, aponta. Ele ressalta que esses imóveis de luxo geralmente oferecem poucas unidades por andar, áreas de lazer completas, alto padrão construtivo e projetos assinados, muitas vezes com serviços hoteleiros.
Laurício Leal, sócio-proprietário da Imobille, estima que os valores por metro quadrado na Praia Brava variem entre R$ 16 mil e R$ 35 mil, dependendo da localização, proximidade com o mar, estrutura do condomínio e padrão da construtora. Empreendimentos de frente-mar e os chamados “home clubs”, com amplas áreas de lazer, alcançam os patamares mais altos.
Mudança no Perfil do Comprador
Embora pertença a Itajaí, a Praia Brava integra um eixo urbano com Balneário Camboriú, atraindo compradores que buscam o acesso aos serviços de ambas as cidades. Leal observa que o bairro deixou de ser um destino apenas sazonal para atrair famílias e profissionais interessados em moradia permanente, impulsionado pela expansão de restaurantes, academias, mercados e escolas. No entanto, a segunda residência e o investimento continuam fortes, especialmente em empreendimentos com foco em lazer, que atraem tanto para uso eventual quanto para locação.
Carlos Vinicius Bortolato, coordenador de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan, associa a região a um público jovem, vida ao ar livre e proximidade com a natureza, uma imagem que se mantém mesmo com o avanço da construção civil.
Restrições Urbanísticas e a Preservação da Paisagem
As regras de ocupação, consolidadas pelo Plano Diretor de Itajaí e por um acordo com o Ministério Público Federal para a Brava Norte, limitam a altura dos edifícios próximos ao mar. Prédios de frente para a praia podem ter até sete pavimentos, enquanto áreas mais afastadas podem chegar a 12. Segundo Bortolato, essas restrições ajudam a manter a paisagem e a característica menos verticalizada da orla, o que, paradoxalmente, contribui para a valorização imobiliária. “Perder essas restrições geraria mais unidades e oferta, o que poderia até reduzir o valor do metro quadrado, mas às custas das características que definem a Praia Brava”, afirma.
O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, João Paulo Kowalsky, destaca que a prefeitura mantém projetos de mobilidade e saneamento, incluindo o binário da Brava e a binarização da Avenida Osvaldo Reis, além de estudos para um novo acesso à BR-101. A manutenção das restrições construtivas é vista como crucial para preservar a identidade e o valor imobiliário da Praia Brava, que vende exclusividade, mar e natureza como seus principais ativos.
