Poluição do ar associada a maior risco de Parkinson, aponta revisão de estudos
Poluição do ar associada a maior risco de Parkinson, aponta revisão de estudos

Poluição do ar associada a maior risco de Parkinson, aponta revisão de estudos

Exposição prolongada a poluentes atmosféricos pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Parkinson, especialmente em pessoas com predisposição genética. Uma extensa revisão de estudos, considerada a maior análise até o momento, publicada na revista Environment International, reuniu 42 pesquisas e reforça a suspeita de uma ligação entre a qualidade do […]

Resumo

Exposição prolongada a poluentes atmosféricos pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Parkinson, especialmente em pessoas com predisposição genética. Uma extensa revisão de estudos, considerada a maior análise até o momento, publicada na revista Environment International, reuniu 42 pesquisas e reforça a suspeita de uma ligação entre a qualidade do ar e a incidência da condição neurodegenerativa.

A doença de Parkinson é caracterizada pela perda de neurônios produtores de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle motor. Seus sintomas incluem tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e desequilíbrio. Embora sua origem seja multifatorial, combinando fatores genéticos e ambientais, a nova análise foca no impacto da poluição.

Os pesquisadores da Universidade de Cambridge identificaram uma correlação significativa entre a exposição ao material particulado fino (PM2.5) e um aumento de 10% a 18% na ocorrência da doença. O PM2.5, composto por partículas minúsculas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, provenientes de fontes como veículos, indústrias e queimadas, é capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir a corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios em todo o organismo.

Essa suspeita não é nova. A relação entre industrialização e Parkinson remonta à Revolução Industrial, com um aumento observado em países mais desenvolvidos a partir da década de 1950. “As conclusões são relevantes por reforçarem o que já imaginamos que ocorre, pois em lugares com maior índice de poluição no ar, a incidência de Parkinson é maior”, comenta o neurologista Rubens Cury, do Hospital Israelita Albert Einstein. No entanto, ele ressalta que o estudo aponta uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

Inflamação e predisposição: a conexão com o Parkinson

O mecanismo por trás dessa associação reside na capacidade do material particulado de induzir inflamação. Essa inflamação sistêmica pode acelerar o depósito de proteínas anormais, como a alfa-sinucleína, no cérebro de indivíduos geneticamente suscetíveis. “Mas é preciso haver uma predisposição, do contrário, a pessoa pode ficar anos exposta e não vai ter a doença”, frisa Cury. Portanto, a poluição agiria como um fator agravante em quem já possui vulnerabilidade.

É fundamental notar que a doença de Parkinson é complexa e influenciada por múltiplos fatores, incluindo agrotóxicos, solventes e a carga genética. Nenhum desses elementos, isoladamente, explica completamente seu desenvolvimento. Fatores ambientais, como a poluição, podem desempenhar um papel tanto no início quanto na progressão da doença.

Estilo de vida como ferramenta de prevenção

Apesar de não ser possível prevenir o Parkinson, a identificação de fatores de risco modificáveis, como a exposição à poluição, é crucial. Os cientistas destacam que a adoção de um estilo de vida saudável pode contribuir para a redução desse risco. A prática regular de atividades físicas aeróbicas de intensidade moderada a alta e uma dieta rica em vegetais, legumes, oleaginosas, azeite de oliva, frutas vermelhas e cítricas, seguindo os princípios da dieta mediterrânea, são apontadas como medidas benéficas. Em contrapartida, fatores como trauma craniano, exposição a certos pesticidas e diabetes tipo 2 estão associados a um aumento do risco da doença.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Agência Einstein e pela revista Environment International.

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