O primeiro gol de Pelé: há 70 anos, um menino que buscava cigarros iniciava sua lenda
O primeiro gol de Pelé: há 70 anos, um menino que buscava cigarros iniciava sua lenda

O primeiro gol de Pelé: há 70 anos, um menino que buscava cigarros iniciava sua lenda

Um gol que mudou a história do futebol Em 7 de setembro de 1956, um amistoso entre Santos e Corinthians de Santo André, no extinto estádio Américo Guazzeli, na Vila Alzira, em Santo André, não era considerado um jogo de grande importância. A imprensa até se surpreendeu com a escalação do time principal do Santos, […]

Resumo

Um gol que mudou a história do futebol

Em 7 de setembro de 1956, um amistoso entre Santos e Corinthians de Santo André, no extinto estádio Américo Guazzeli, na Vila Alzira, em Santo André, não era considerado um jogo de grande importância. A imprensa até se surpreendeu com a escalação do time principal do Santos, que defendia o título paulista do ano anterior. No entanto, foi nesse palco modesto que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, com apenas 15 anos, 10 meses e 15 dias, entrou em campo no segundo tempo e marcou o primeiro de seus incríveis 1.283 gols. A partida terminou com vitória do Santos por 7 a 1.

O próprio Rei do Futebol, em entrevistas posteriores, não costumava destacar este jogo em sua vasta carreira. Contudo, para Zaluar, o goleiro do Corinthians de Santo André, aquele gol se tornou um marco inesquecível. Anos depois, ele passou a andar com um cartão de visitas que dizia: “Zaluar – Gol de Rei Pelé – 001”, eternizando o momento em que o futuro ícone do esporte mundial balançou as redes pela primeira vez.

As informações foram reunidas a partir de relatos históricos sobre a estreia de Pelé e sua carreira inicial.

Um amistoso com sabor de título e a estreia do futuro Rei

O amistoso, que valia o Troféu Independência em comemoração à data pátria, pode não ter tido registros detalhados sobre o público ou o desenrolar exato de cada lance. O que não se contesta é a entrada de Pelé na segunda etapa e seu gol, que foi o sexto do Santos na partida. Relatos de ex-jogadores do Corinthinha, como Schank, descrevem o lance: a bola sobrou no meio-campo, Pelé driblou o marcador e tocou na saída do goleiro Zaluar. Curiosamente, os registros oficiais da época chegaram a atribuir o gol a outro jogador, Raimundinho, uma correção que só foi feita 13 anos depois, quando Pelé já era uma estrela mundial.

Naquele tempo, Pelé, ainda conhecido por apelidos como Gasolina ou Dico, chamava mais atenção por sua educação e bons modos do que pelo futebol que viria a apresentar. Companheiros de equipe, como Urubatão, descrevem um jovem “extremamente educado, incapaz de responder mal para qualquer pessoa”, conquistando a todos com sua gentileza.

Da pensão aos gramados: o início de uma jornada extraordinária

Era comum, na época, que jogadores mais experientes, como Hélvio e Vasconcelos, pedissem ao jovem Pelé para realizar tarefas cotidianas, como buscar cigarros. O garoto executava esses pedidos sem hesitação, enquanto treinava incansavelmente para aprimorar suas habilidades, especialmente seu chute com a perna esquerda, que na época não era seu ponto forte. O ponta-esquerda Pepe, companheiro de Pelé, comentou sobre essa evolução: “Quando chegou, o Pelé chutava mal com a esquerda. Isso quando chutava. Ele começou a treinar, melhorar e algum tempo depois era tão bom com a esquerda quanto era com a direita”.

A ascensão de Pelé foi meteórica. Em 1957, já era peça fundamental no Santos, convocado para a seleção brasileira e, em 1958, era chamado de “rei”. Escritores como Ruy Castro e cronistas como Nelson Rodrigues já antecipavam a grandeza do garoto. Rodrigues, em 1958, antes mesmo da Copa do Mundo, escreveu sobre a “majestade dinástica” do jogador, comparando sua forma de jogar a um monarca “escorraçando um plebeu ignaro e piolhento”. A consagração mundial viria com o tricampeonato na Copa de 1958, mas a semente do “Rei” já estava plantada em campos modestos, como a Vila Alzira, onde um menino que buscava cigarros marcava seu primeiro gol e iniciava uma lenda que ecoaria por décadas.

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