Mulher se passa por criança e engana família em caso chocante
Um caso que chocou a cidade de Joinville, em Santa Catarina, revela uma fraude elaborada onde uma mulher de 37 anos se passou por uma menina de 12 anos para ser acolhida e sustentada por uma família.
A suspeita, que usava o nome falso de “Gabriele”, mantinha comportamentos infantis, utilizava chupetas e mamadeiras, e se apegava a um “cheirinho” para dormir, tudo para sustentar a farsa.
A história, que tem semelhanças com o filme “A Órfã”, só foi descoberta após a desconfiança de uma familiar da vítima. Conforme apuração do portal g1, a mulher confessou integralmente os fatos após ser presa em flagrante.
O golpe e a construção da mentira
Para convencer a família e as autoridades, a mulher alegava falsamente ser portadora de autismo e outras condições clínicas. Ela justificava sua aparência adulta dizendo ter sido forçada a usar hormônios na infância. Essa narrativa visava ganhar a confiança e o acolhimento do casal, que a recebeu após ela afirmar ter fugido do Pará devido a abusos.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso descreveu a situação como um “sequestro emocional” da família. A mulher vivia confortavelmente, recebendo tudo que havia de melhor, sem ter acesso direto a dinheiro. Ela chegou a ganhar um quarto decorado, uma festa de aniversário de 12 anos e um medicamento de alto custo, o Mounjaro.
Evitando a adoção e a escola
Sempre que surgia a possibilidade de formalizar a situação, seja por adoção ou matrícula escolar, a mulher apresentava desculpas para evitar. Ela dizia temer que um suposto pai abusador a encontrasse, uma justificativa que sensibilizava a família e impedia o avanço dos procedimentos oficiais. Essa tática a impediu de ir à escola, mantendo-a isolada e sob seu controle.
O comportamento infantilizado e compatível com a idade que dizia ter reforçava a narrativa construída, afastando suspeitas. “Ela vivia efetivamente como uma adolescente”, afirmou o delegado Gusso, destacando a eficácia do disfarce.
A descoberta da farsa
A fraude só veio à tona graças à desconfiança de uma tia da família. Ao estranhar a situação, ela realizou uma pesquisa na internet e encontrou um caso idêntico ocorrido no Rio de Janeiro. A família, então, procurou a polícia, levando à prisão em flagrante da mulher.
A mulher é natural do Ceará e já possui registros criminais por golpes semelhantes em outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. A Justiça decidiu manter sua prisão preventiva, considerando a gravidade da conduta e o risco de reiteração criminosa.
Medidas judiciais e exame de sanidade
Atualmente presa no Presídio Regional de Joinville, a suspeita responde por estelionato e falsidade ideológica. A defesa solicitou um exame de sanidade mental, que foi autorizado pela Justiça. O advogado nomeado pelo juiz aguarda a conclusão da perícia para auxiliar no esclarecimento do caso e na adoção das medidas processuais cabíveis.
O caso em Joinville remete diretamente à trama do filme “A Órfã” (2009), onde um casal adota uma menina que, em uma reviravolta, revela ser uma mulher adulta com uma condição hormonal rara que mantinha sua aparência infantil.